sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Jordânia / Síria, Outubro 09 - S. Simeão

Hoje vou fazer aquilo de que tenho vontade desde que entrei na Síria: citar a Alexandra Lucas Coelho, na reportagem que em Setembro fez no "Público", sobre a sua viagem à Síria (link apenas para assinantes):

“É uma história de horror ou de milagre, talvez ambas. Acabou há 1500 anos nesta colina do Norte da Síria.

Aqui, entre pinheiros que enchem o chão de caruma e refrescam a pedra ardente, um homem viveu 37 anos em cima de um pilar, com uma coleira de ferro, para não cair.

Tão longe foi a sua fama, que veio gente da Pérsia, das Ilhas Britânicas e até da península Ibérica para o ver. Imperador bizantino, líderes beduínos, poderosos em geral, pediam-lhe conselho e cumpriam, porque a palavra de um homem em cima de um pilar só podia ser visionária.

Foi assim que Simeão decidiu de muitas matérias terrenas, tendo grande impacto no mundo do seu tempo, e tudo isto sem descer ao chão.

Quando ele morreu, o corpo teve que ser retirado à fome dos crentes, que lhe queriam arrancar, dedos, dentes, cabelos, qualquer relíquia. Isto aconteceu no século V, e uma grande basílica, que na verdade são quatro, foi erguida em torno do pilar sagrado.

Hoje é uma das ruínas mais extraordinárias da Síria, o que é dizer muito porque poucos países do mundo terão ruínas tão extraordinárias, de tantas civilizações e épocas.

E entre arcos e colunas, abóbadas e capitéis, cá está o pilar, hoje reduzido a uma grande pedra irregular, no centro do pátio.

[…]

Quando optou pela vida no pilar, este obstinado santo tinha a idade de Cristo. Morreu com 70 anos, lá em cima. Foi preciso trepar para confirmar o óbito.

[…]

Feita de quatro basílicas em cruz, a grande basílica de São Simeão ainda está tão de pé em alguns pontos como se lhe tivessem tirado só o tecto. De manhã, a pedra é dourada, com um céu azul por cima e pinheiros à volta. E, encosta fora, extensos olivais, árvores de pistácio, figueiras, até dar Saaman, a aldeia lá em baixo. Os aldeões habitam tudo isto. Vivem em casas que nos quintais têm restos de colunas, de fachadas e mesmo pequenas basílicas bizantinas. Sobem a encosta para colherem azeitonas, pistácios, avelãs, romãs e figos junto à basílica.

E são esses pequenos figos verdes que os filhos dos aldeões seguram à sombra de um arco ou de uma coluna, sem sequer apregoarem o que têm, silenciosos como monges."




Várias perspectivas da ex-coluna / pedregulho... :

















Cemitério

Baptistério


Vista da basílica. As montanhas, ao fundo, já são Turquia. Mais recuados, à esquerda, os restos de uma das cidades mortas bizantinas

Um dos meninos dos figos. Acompanhou-nos durante todo o percurso, mas não lhe ouvimos um som

4 comentários:

Миша disse...

Muito gostas tu desses putos, belas fotos, em vez de serem só monumentos!

DoCeu disse...

Oh compadre, EStás-me a chamar nomes?!
Errr... piada seca...

Миша disse...

Velhota?... (-:

JoaoN disse...

Espero bem que tenham comprado os figos ao moço! :-P