sábado, 4 de abril de 2026

México, Fevereiro / Março 2026 - El Fuerte / El Chepe

Após uma travessia marítima de OITO horas - que exigiu aos de idade superior a 70 um atestado (com menos de uma semana!) de boa saúde... - voltámos ao "continente".

  EL FUERTE

O nome de El Fuerte deriva de um forte que, no início do século XVII, os espanhóis construíram, para se defenderem dos ataques que os indígenas não cessavam de desferir à povoação de San Juan Bautista de Carapoa, fundada quase meio século antes.

Após a independência do México, El Fuerte converteu-se em capital do Estado de Occidente. A reorganização administrativa decorrente da perda de territórios, no final da guerra com os EUA, a meio do século XIX, fez com que a cidade perdesse importância.

El Fuerte foi mais uma boa surpresa.

Casas coloniais de El Fuerte
Cores de El Fuerte

👆A praça principal de El Fuerte, marcada pelas majestosas palmeiras reais 👇


Igreja do Sagrado Coração de Jesus

As bonitas placas toponímicas de El Fuerte. À direita, o símbolo da classificação da cidade como pueblo mágico 
O Trio Romântico (!), que alegrou o nosso almoço em El Fuerte, com canções mexicanas a pedido. O senhor da direita tem 80 anos!

Representação de um membro da etnia Mayo, preparado para a danza del venado.

Os mayos são um povo indígena local, que a si mesmos preferem chamar-se yoremes. 
Altamente ciosos da sua cultura ancestral, que se esforçam activamente por preservar, têm uma forma de governo colectivo e autónomo.
Praticam, em vários centros cerimoniais, uma religião de sincretismo entre as crenças cristãs e as suas próprias crenças originais, muito ligadas à natureza.

Máscaras del judío, acessório importante na semana santa dos mayos

El Fuerte reivindica a qualidade de terra natal do... Zorro! Mais, o hotel onde ficámos está instalado numa lindíssima mansão colonial que é suposto ser onde nasceu este Zé do Telhado californiano.
[Pesquisando sobre o personagem, descobri - coisa que ignorava - que até Isabel Allende já escreveu um livro sobre ele!] :

 


 EL CHEPE

Foi em El Fuerte que apanhámos El Chepe, mais uma etapa aventurosa da nossa viagem.

A construção da linha ferroviária entre Chihuahua e o Pacífico sofreu tantas vicissitudes que, datando a ideia inicial de 1876, o percurso só foi posto ao serviço em... 1961!
O facto de atravessar a Sierra Madre ocidental não foi um dos mais pequenos obstáculos, obrigando à construção de 86 túneis e 175 pontes (números do site oficial).
O traçado atinge, no seu ponto mais alto, 2500 m, e permite aceder às Barrancas del Cobre.
A meio do percurso, os assistentes chamam a atenção para uma mudança de fuso e de ecosistema, de semidesértico para semitropical (para quem viaja de sul para norte).

A excitação dos turistas, à chegada do comboio

Via única...

... mas tudo bem organizado!
As paisagens vistas do comboio - rio El Fuerte
As paisagens vistas do comboio - rio Chinipas


As acrobacias do Chepe:

 

Cruzamento com o Chepe Regional. (Grandes diferenças de serviço relativamente ao comboio dos turistas, El Chepe Express...)
Gentes da etnia local, os raramuri, vendendo artesanato aos turistas, numa paragem do comboio
Chegada a Divisadero


México, Fevereiro / Março 2026 - Baixa Califórnia Sul, descendo a península

 SAN IGNACIO

Misión de San Ignácio Kadakaaman

A visita a San Ignacio serviu para confirmar, de prova provada, se dúvidas ainda houvesse, que a arquitectura das missões jesuítas da Baixa Califórnia não tem nada a ver com a das do Paraguay ou a das da Argentina.

O contexto local em que se inseriam também era importante, dizia o jovem guia, meio apanhado de surpresa pela comparação. É verdade. E também é verdade que os jesuítas chegaram à Baixa Califórnia  quando os modelos arquitectónicos e artísticos utilizados nas duas localizações anteriormente referidas já estavam ultrapassados.

Como se verá mais adiante, os jesuítas sabiam escolher os locais onde se instalar. Aqui em San Ignacio, o pretexto foi o oásis proporcionado pelo rio Mulégé:

Rio Mulégé. Ao fundo, o "volcán de las tres virgenes"


 

 SANTA ROSALÍA 

Santa Rosalía deve a sua fundação (1885) e desenvolvimento à descoberta de jazidas de cobre, em finais do século XIX, e à companhia francesa - El Boléo - que aí se instalou para as explorar.
A empresa laborou até 1954, data em que encerrou, levando a um declínio da localidade.
Actualmente, um consórcio de empresas sul-coreanas esforça-se por devolver a actividade mineira aos seus tempos áureos (cúpricos?! 😄).

Pela cidadezinha são visíveis sinais da histórica actividade mineira.:


Museo Histórico de la Minería

Um dos grandes atractivos turísticos de Santa Rosalía, mas que para mim foi uma espécie de flop, é a igreja de Santa Bárbara, desenhada por Gustave Eiffel. Viajou, desmontada em peças, desde a Europa até à Baixa Califórnia Sul:

Do que gostei muito mais foi dos exemplares de arquitectura "colonial tropical" francesa, infelizmente pouco cuidados, que os franceses deixaram para trás:

 
O nosso hotel - Hotel Francés - , também integrado neste estilo de construção

Em Santa Rosalía, um pequeno grupo dentro do grupo ("we few, we happy few") levantou-se a meio da noite, para assistir, experiência memorável, a um eclipse total da lua!



MULÉGÉ 

Mulégé foi um sítio mágico - a estupenda paisagem escolhida pelos jesuítas ("espertiiinhos"); a missão que, não respondendo ao estilo de que eu estava à espera, foi, das californianas, a minha favorita; o voo-quase-ballet das fragatas:


 





BAHÍA CONCEPCION

👆Bahía Concepción👇
Os manguezais também são uma espécie protegida
Praia El Burro, na Bahía Concepción
👆Nos arredores de El Burro👇


LORETO / ISLA CORONADOS 

Loreto é uma cidadezinha (oficialmente um pueblo mágico) agradável e tranquila. 
(Excepção feita às noites de sábado, em que o divertimento dos locais é desfilar lentamente de carro pelo malecón, com a música no máximo...).

Chegou a ser capital da península, até um furacão a ter devastado, no princípio do século XIX, sendo substituída por La Paz

Foi a partir de Loreto, onde instalaram a sua primeira missão, a de Nossa Senhora do Loreto, que os jesuítas se encarregaram da evangelização (...) dos povos indígenas da Baixa Califórnia.
A missão integra actualmente um didáctico e bem apresentado museu das missões jesuítas.

Aquando da expulsão dos jesuítas, as missões e outros estabelecimentos religiosos passaram para as mãos de outras ordens religiosas, nomeadamente franciscanos e dominicanos.

Misión de Nuestra Señora de Loreto Conchó (para captar a simpatia dos indígenas [minha interpretação pessoal...], os jesuítas acrescentavam ao nome das missões o topónimo original do lugar onde as instalavam)

 
Malecón de Loreto

Amanhecer em Loreto

Loreto foi, ainda, o ponto de partida para a nossa última saída de mar, a ilha Coronados, pertencente ao Parque Nacional Bahía de Loreto:

Por detrás de Loreto, a serra de La Giganta, que nos acompanhou durante grande parte da nossa viagem na BCS

Golfinhos...

... tontos de patas azuis (só eu é que sei 😀)

... pelicanos... 

... leões marinhos... 

... e os seus patuscos "brados"...

... e as infindáveis formações geológicas da isla Coronados:









 Tudo rematado por picnic e banhoca, em mais uma praia maravilhosa: