terça-feira, 28 de março de 2017

Ilhas Lofoten, Março 2017 - bicharocos


Gralhas - estavam por toda a parte, fazendo ouvir a sua algazarra. Não imaginava ir encontrar tantas, naquela latitude e com tais temperaturas.



Em matéria de chinfrineira, as gaivotas rivalizavam com as gralhas. Ouça-se o seu concerto, em Nusfjord
Muro das gaivotas, em Nusfjord. Não percebi o alvo pintado no meio... ?


Águias marinhas. Vimo-las durante o cruzeiro ao Trollfjord. Mas, para além do fraco equipamento e da pouca habilidade da repórter, por esta altura em que as encontrámos já a mesma não dava conta dos dois gorros, três pares de óculos, dois pares de luvas, anorak, macacão impermeável e colete de salvação... Bref, o que se aproveitou foi isto...



Corvos-marinhos (ou cormoranes, como gosto de lhes chamar, já que os descobri na Patagónia) também eram frequentes



Os cavalicoques são lanzudos, parecidos aos da Islândia:


No aquário de Storvagan vimos muitas e desvairadas espécies de que, à distância, nem todas conseguimos identificar...













Ilhas Lofoten, março 2017 - pessoas

Das duas, uma: ou somos umas sortudas, ou umas pinga-amor. Em cada viagem nos fica a recordação funda de pessoas que fomos encontrando.

Desta vez, desde logo a Marion, dona e gerente, com o marido, do Unstad Arctic Surf. Tommy, o marido, é professor de surf, grande conhecedor do Guincho e afins. Mas, no caso dela, a coisa já vem mais de trás - o pai, ainda vivo, foi um pioneiro do surf na Europa, ainda há pouco tempo o New York Times o foi descobrir. E, como nesse tempo ainda não havia onde comprar pranchas, fez ele próprio as suas, que ainda estão na sala de estar do hostel, em exposição.


Maternal, extrovertida, generosa, a Marion fez-nos um upgrade de instalações e cozinhou-nos (com os ajudantes, I suppose) o melhor jantar da nossa viagem, uma coisa de cair prá banda.
Debaixo de um tempo tenebroso, queria convencer as cotas a ir experimentar o surf (...), argumentando que, se os candeeiros não abanavam, não era sequer uma pequena tempestade. (Acrescentava que, quando são grandes, os quadros caem das paredes!...)
E, à despedida, ainda nos deu prendinhas.
A personagem, o bom gosto e conforto das instalações (até tínhamos máquina Nespresso, com cápsulas!) fizeram deste alojamento - eleito o melhor da viagem - um daqueles donde saímos com tanta pena de não poder ficar mais tempo.

Em Ballstad, foi o Ingvar. (Mais outro que nos fez um upgrade!)
Quando viu um casal francês, outro alemão, duas russas, duas portuguesas e um norueguês prestes a dedicarem-se, cada um por seu lado, às respectivas geringonças electrónicas, interveio, fez as apresentações, e não houve expediente para ninguém!
Hiperactivo, alternava entre a cozinha e a sala de jantar, trazendo petiscos, pedindo-nos a opinião sobre eles, contando histórias.
Todo um personagem!
O fim do serão foi um bocado dramático, porque ele veio sentar-se à mesa connosco, desfiava tema atrás de tema - Atlântida, origem do homem... - e ninguém se atrevia a levantar. Mas isso é outra história.

E depois, claro, o bellone do café de Ramberg, de seu nome Borgland. Além de, como diria a vóvó Donalda, ser "um perfeito homem", tinha ali um cantinho acolhedor, muito bem decorado, cheio de gulodices, que nos foi um excelente porto de abrigo, das duas vezes que lá passámos.
À primeira passagem manteve-se reservado e discreto, mas à segunda, com a ajuda de uns franceses, contou a sua história de emigrante polaco que, antes de se estabelecer aqui há dez anos, já tinha passado outros cinco em Inglaterra.
(Lá se foi o direito de imagem das criaturas... Mas, atendendo a que o blog é fechado, tem poucos leitores e isto é boa publicidade, pode ser que relevem!)