sexta-feira, 20 de maio de 2016

As gentes

No geral, as pessoas são muitíssimo simpáticas, já o sabíamos. (A excepção foi Santa Catarina, a terra de fim do mundo onde acaba a estrada. Até os locais que estavam connosco disseram "essa gente não vai mudar nunca". Mas, oh amigos, o isolamento nunca fez bem a ninguém...)
Vamos pela rua e, ou eles cumprimentam com um sorriso rasgado, ou, da mesma maneira, nos respondem.
E, depois, os casos particulares:
O António, adolescente a servir no restaurante da roça S. João. Na véspera, o patrão tinha estado a gozar com ele, à nossa frente, por causa da namorada arranjada via Facebook. Quando, à despedida, no dia seguinte, lhe desejámos boa sorte para os amores, sorriu de orelha a orelha e exclamou, espantado: "As senhoras recordaram de mim!"
Tia, posso ajudar? (Um improvisado ajudante de restaurante, antes de tirar o prato, depois de comermos)
O John, amigo do Adilson (guia de S. Tomé), que nos levou a ver a cascata Vale do Rio, tão orgulhoso do seu país, tão pensamento positivo. Nas tintas, que os da cidade o menosprezem por ele viver na roça. Nas tintas para os preconceitos, porque uns são mais inteligentes que outros.
O sr. Jerónimo Dias, actual dono da roça Monte Forte, ex-deputado da nação, que nos recebeu dizendo que as casas são de quem entra nelas. Descalço, com a dignidade de um senhor.
O funcionário do aeroporto do Príncipe, a enésima pessoa a quem a Marylight perguntou o nome daquela flor, que nos perseguia, anónima, desde S. João dos Angolares. Não só sabia que se chamava flor-cebola, como foi a casa buscar um machete, para lhe cortar uma poda!
Sem falar no Yano, o nosso guia no Príncipe. Tinha-se despedido de nós na quinta à tarde, e apareceu de surpresa, hoje, sexta, no aeroporto, chiando nas curvas, do alto da sua moto, para nos oferecer dois ananases "do meu quintal"...
Só me faltou chorar

12o - adeus, Príncipe!


Despedimo-nos em grande, com um divino banho na praia de Santa Rita (só pra nós), uma das duas do Bom-Bom Resort, onde Marylight teria gostado de ficar alojada, se não estivesse atrelada à forreta...
Também com uns últimos olhares, já nostálgicos, aos faustos desta natureza que, aqui, é ainda mais avassaladora que na ilha de S. Tomé.
Em todo o caso, vamos sair sem saber qual dos príncipes deu o nome à ilha: algumas fontes, dizem que o futuro D. João III; outras, que o futuro D. João V, a quem teria sido atribuída a dízima da ilha (é rico, o bicho!)   ?????

O nosso guia no Príncipe

26 anos. O outro era um profissional, este está a começar.
Tem um sorriso tão lindo que dá vontade de fazer festinhas e as gargalhadas dele fazem bem à alma.
De origem caboverdeana, está mais habituado a falar crioulo, ou, com os turistas, em francês. Às vezes faltam-lhe as palavras em português e troca muitas vezes o género das palavras.
Fez-nos muito boa companhia, nestes dois dias.

11o dia - mais roças, mais praias


Este resumo é muuuito feio, mas hoje esteve muito calor, estou espapaçada, e a wifi continua a brincar às escondidas.
De qualquer modo, a sensação do dia foi a experiência radical de jantar no Quiosque da Bela, onde o concon (peixe) picante (heeelp!) se comia à mão. Fiz dois flashbacks. Os cotovelos a pegar na toalha, levaram-me de volta à Taverna da Dolores, em Santiago de Cuba (remember, sócia?!). Quanto à limpeza prévia da dita toalha, transportou-me à tasca da rua do Machadinho, quando, em pleno surto de cólera do verão de 74, o sr. António tirava um trapo da algibeira, para expulsar os restos dos clientes anteriores.
Vi Marylight à beira da comoção cerebral...