quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Trieste, Setembro 2022 - o Bora

 

Mosaico alusivo ao Bora, no chão do Caffè Urbanis, fundado em 1832

Nenhuma reportagem sobre Trieste fica completa sem falar do Bora. Assim mesmo, com  letra maiúscula, pela influência que tem sobre o quotidiano da cidade, especialmente no inverno.

O Bora é um vento catabático(!) que sopra por rajadas, com tamanha intensidade, que, até há pouco tempo, existiam, nos sítios da cidade mais fustigados, as chamadas corde della Bora, cordas presas a colunas, a que as pessoas se podiam agarrar, em caso de necessidade.

É tal a importância do fenómeno, que tem direito a um museu!.

Nós tivémos uma pálida amostra, quando teimámos em subir às muralhas do Castello di San Giusto, num dia de chuva. Mas, pelas coloridas descrições que ouvimos de vários triestinos, terá sido apenas isso mesmo, uma amostra.

Nota: para os triestinos, trata-se de um personagem feminino, dizem la Bora. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Trieste, Setembro 2022 - o Carso


O Carso é a montanha que serve de pano de fundo a Trieste, por oposição ao mar, e faz parte da idiossincrasia da cidade.

Tal como nós aprendemos no Carsoscópio de Alcanena, uma formação  cársica é uma formação rochosa calcária em que os vários agentes de erosão e particularmente a chuva, abriram fendas, grutas e por aí fora.

O que eu não sabia, até à preparação desta viagem, é que a origem da palavra era este maciço montanhoso - de kras, rocha, em esloveno. (Carso, em italiano, karst, em alemão, krs, em croata)

A excursão ao Carso não foi o objectivo mais bem sucedido desta viagem. Teria sido preciso adentrarmo-nos muito mais no território. Mas a prolixidade do cromo que nos foi mostrar as foibe fez-nos gastar horas, inviabilizando tal intenção. Do Carso, apenas avistámos a zona de vegetação que foi mandada plantar exactamente para proteger a cidade de areias e detritos. O Carso seco, rochoso, desértico, pedregoso, ficou adiado para a próxima oportunidade.