quinta-feira, 28 de maio de 2015

Regresso a Titicaca - Wiracocha, 1 - Cielito, 0

Ha 17 anos ja tinha estado em Titicaca, no lado peruano do lago. O Peru e a Bolívia partilham o lago navegável mais alto do mundo (mais de 3800 metros) à razão de 5/6 e 1/6, respectivamente, se a minha memória está correcta.

Dormimos em Taquile. Ficou para sempre cá dentro com um lugar muito especial aquele fim de tarde na Plaza de Armas, cantando com os miudos do pueblo "Os putos" do Carlos do Carmo. Eles só cantavam o refrão e não percebiam nada, claro, mas riam-se muito. Depois fizeram um concerto ululante atrás de mim, direito à tienda lá do sítio, quando eu perguntei quem queria cárámélôs.

Na partilha do lago, a Bolívia ficou com a Isla del Sol, lugar de todas as crenças, ritos e reverências. Segundo a mitologia quéchua, de uma certa roca sagrada no norte da ilha terá surgido o deus Wiracocha, criador do mundo, do primeiro homem - Manco Capac - e da primeira mulher - Mama Ocllo.

Perante tais referências, decidi dormir na parte norte da ilha. E, assim que o barco atracou (com uma hora de atraso), precipitei-me a caminho da estação arqueológica de Chinkana, que o guia anunciava ser atingível em 30 minutos. (Estas estimativas deviam sempre vir assinadas e mencionando a idade e a condição física do autor...).

Ao fim de hora e meia em modo "mountain goat", atingi finalmente o objectivo: vi a mesa sagrada, o labirinto (chinkana) e vários outros restos. Faltava a própria da roca sagrada. Foi nesta altura que eu fui informada por uma turista descendente de que a dita rocha ficava lá no alto. Já me faltava subir isto...


A luz diminuía a olhos vistos. Desisti, arrepiei caminho, tornei a desistir, tornei a achar que conseguia, estiquei a corda o mais que pude. Muito contrariada, acabei por entregar os pontos. Bastava que o barco tivesse chegado a horas... (E que eu tivesse aguentado a subida, reconheço.)

Uyuni, o milagre do lítio


A caminho da (fatídica) ilha de Incahuasi, o doce Álvaro Alberto Alfredo Alfonso António desligou as luzes e deixou-nos ir assim, vendo, à direita, a luz que progressivamente ia começando a aparecer e, à esquerda, o salar a "embranquecer" cada vez mais. Não sei como se orientava naquela longidão e escuridão, mas iria jurar que não mexeu o volante um milímetro. Quando lhe perguntei se tanto turismo não vai dañar el salar, respondeu-me "es demasiado grande" (186 km na sua maior extensão), mas não me convenceu.

Para além do turismo e do sal, a galinha dos ovos de ouro de Uyuni é o lítio. Há sítios onde a percentagem é de 80%. O pior é que a Bolívia não dispõe das duas coisas necessárias à sua exploração - dinheiro e tecnologia.

As notícias dizem que o processo está a andar.
http://www.la-razon.com/economia/GNRE-planta-carbonato-litio-proponentes_0_2261173891.html
Será desta que a Bolívia esconjura a malapata? Tenho pena de o dizer, mas no lo creo. A gente já sabe como estas coisas se passam... Mesmo que o tio Evo se eternize no poder, como anda a tentar.