domingo, 15 de maio de 2016

As crianças

A teoria vinha bem aprendida - NÃO dar doces às crianças. A recomendação politicamente correcta é a de trazer coisas úteis e entregá-las a instituições.
Na prática, eu sabia que ia ser difícil resistir a estes olhos enormes, chamando "branco-o!", "branca-he!". Para enganar a frustração, trouxemos um (UM, santíssima ingenuidade!!!) pacote de balões. Mas só podemos tocar-lhes quando encontramos apenas duas ou três crianças (o que é raro, eles vêm sempre em ranchos). Marylight caiu na asneira de começar a distribuir neles, numa roça, e foi o caos!... Num instante caiu uma multidão em cima de nós, saíam de todos os lados, chamados por um radar invisível.
O Junior, o Tiago,  a Rafaela, todos eles, lembram-me os meus meninos de Taquile: "cá-rá-mé-lôs?" Aqui, o estribilho é: "doxi! Doxi! Doxi!" "Doce! Doce! Doce!"
Olhamos para as duas malas que trouxémos com cadernos, lápis, livros, bolas de sabão e sei lá que mais, que iremos entregar às escolhas do nosso coração, a Fundação da Criança e da Juventude, em S. Tomé, e a Casa dos Pequeninos, no Príncipe, e apercebemo-nos de como são uma nanogota de água no oceano...
Fora das cidades, ou das comunidades que vivem nas antigas roças, os minorcas andam quilómetros para chegar a escola. Mas o futuro do país está neles - em STP, 63 % da população tem menos de 24 anos

7o dia - de Guadalupe a Mucumbli

"Quando há dinheiro não há bilheites, quando há bilheites não há dinheiro!", já lá dizia o outro. Ontem, que chegámos tão cedo ao nosso alojamento, a internet estava avariada. Aproveitámos para por as leituras e as escritas em dia.
Hoje passámos uma deliciosa manhã, de molho na Lagoa Azul, uma praia rodeada de embondeiros.
O almoço foi em Neves, num restaurante chamado Santola. Portanto, adivinhem o que foi a ementa...
Grande passeio à beira-mar, de Neves até Santa Catarina, onde acaba a estrada.
Tarde de dolce far niente, em Mucumbli, que já se adivinhava que viesse a ser o poiso favorito.

6o dia - da capital a Guadalupe

Hoje começámos por uma lição de desenvolvimento (botânico) do cacaueiro.
Depois cirandámos por várias roças - Bela Vista, Boa Entrada e a maior de todas, a antiga Rio do Ouro, actualmente Agostinho Neto.
Pelo caminho encontrámos um amigo do Adilson, que nos foi mostrar uma cascata onde o próprio Adilson nunca tinha ido. Que delicia de pessoa!
Hoje é sábado, pelo que vamos saber como é a night em Guadalupe!
Para já, tivémos o desplante de vir à "praça digital" da cidade, de calções, ao crepúsculo. Assim como assim, acho que os mosquitos já não têm onde picar...