A teoria vinha bem aprendida - NÃO dar doces às crianças. A recomendação politicamente correcta é a de trazer coisas úteis e entregá-las a instituições.
Na prática, eu sabia que ia ser difícil resistir a estes olhos enormes, chamando "branco-o!", "branca-he!". Para enganar a frustração, trouxemos um (UM, santíssima ingenuidade!!!) pacote de balões. Mas só podemos tocar-lhes quando encontramos apenas duas ou três crianças (o que é raro, eles vêm sempre em ranchos). Marylight caiu na asneira de começar a distribuir neles, numa roça, e foi o caos!... Num instante caiu uma multidão em cima de nós, saíam de todos os lados, chamados por um radar invisível.
O Junior, o Tiago, a Rafaela, todos eles, lembram-me os meus meninos de Taquile: "cá-rá-mé-lôs?" Aqui, o estribilho é: "doxi! Doxi! Doxi!" "Doce! Doce! Doce!"
Olhamos para as duas malas que trouxémos com cadernos, lápis, livros, bolas de sabão e sei lá que mais, que iremos entregar às escolhas do nosso coração, a Fundação da Criança e da Juventude, em S. Tomé, e a Casa dos Pequeninos, no Príncipe, e apercebemo-nos de como são uma nanogota de água no oceano...
Fora das cidades, ou das comunidades que vivem nas antigas roças, os minorcas andam quilómetros para chegar a escola. Mas o futuro do país está neles - em STP, 63 % da população tem menos de 24 anos