Viajar, uma das três melhores coisas que há na vida! As outras duas? Não digo! Para além de que poderia escandalizar as gentes, um pouco de suspense cria sempre mais interesse...
No caminho para Apamea, passámos por Hama, conhecida pelas suas enormes e antiquíssimas noras, sobre o rio Orontes. Tragicamente, desde 1982 tem outro motivo de celebridade - o massacre aí perpetrado pelas autoridades sírias, a pretexto de reprimirem os fundamentalistas da Irmandade Muçulmana...
Apamea (assim se escreve no ocidente) é outro caso de má transliteração (lê-se Afâmia...)
Segundo o nosso guia, Apamea teria sido construída para uma noiva persa de Alexandre, o Grande... Todas as fontes por mim consultadas, contudo, referem que a cidade foi fundada por Seleuco I. É certo que este foi um oficial de Alexandre... Fique-se com a versão que se preferir!
O mais grandioso do que resta de Apamea (melhor, do que já foi recuperado), é o seu cardus maximus, uma lindíssima colunata, longa de 2 km:
Para evitar a monotonia, as zonas em que as caneluras das colunas eram verticais, alternavam com outras, que as apresentavam em diagonal (colunas torsas). Lindas!
Mísula que, também alternadamente, servia de suporte a iluminação, ou a estátuas
Forte otomano, no topo da povoação vizinha das ruínas
Este puto era um castiço. Já treinadíssimo na técnica de apurar o ouvido para detectar a nacionalidade dos turistas e meter a respectiva cassette, exercia-a com a variante original de entoar nomes próprios. Que, no nosso caso, soava assim: "Sênhora Maria, Joana, Paula, Ana! Cartolina, um iuro, um iuro!" :)
Aquele que Lawrence da Arábia classificou como o castelo mais admirável do mundo, é, efectivamente, um assombro.
Ergue-se, a mais de 700 metros, sobre uma planície actualmente conhecida como "o vale dos cristãos". (Apenas a povoação em redor do Krak é muçulmana).
Construído pelos árabes ainda antes do ano 1000 (época em que tinha uma guarnição de mercenários curdos [Hisn al-Akrad = "fortaleza dos curdos"]), num local que os romanos já tinham ocupado para fins defensivos, conheceu o seu auge no tempo dos cruzados.
Resistiu a Saladino, e apenas caíria, quase no fim do século XIII, para os mamelucos.
Vista geral
A entrada que utilizámos, e que os cruzados subiam, a cavalo.
(Também du déjà vu, no Palazzo pubblico, em Bologna - ou já viajei muito ou estou a ficar muito velha e a confundir tudo... :-P)
Leões, insígnia de Ricardo, Coração de Leão
Os torreões:
O fosso
copyright IO
Nem pelo fim a que se destinava - cavalariça - este espaço deixa de ser lindíssimo
Cisterna
Lagar
(Ulterior) mesquita
Sala gótica:
Como disse a Alexandra Lucas Coelho, na sua reportagem sobre a Síria, no "Público" [link só para assinantes], "está tão intacto que os cruzados podiam ter desistido dele ontem, derrotados pelas tropas mamelucas. E qualquer lisboeta empalidece, à recordação do Castelo de S. Jorge".