sábado, 13 de outubro de 2018

Madagascar, Setembro / Outubro 2018 - as crianças

Já terei escrito qualquer coisa parecida com isto, mas não me importo de repetir: as nossas crianças screen addicted precisavam de fazer um estagiozito nestas aldeias malgaches do interior, onde a única distracção da canalha é vir para a estrada – perdão, para o caminho de terra batida e esburacada! – fazer adeus aos vazahas que passam.

Ou mesmo nas cidades, onde a criatividade faz maravilhas, como a que ontem vi: duas meninas brincando com malas feitas de sacos de batatas fritas vazios, com um cordel, para pendurar ao ombro.

Nos sítios mais turisticos, precipitam-se, quando nos vêm chegar. “Bombom? Bombom?”. Eu resolvi ser politicamente correcta e dar antes cinco tostões para um crowdfounding relativo a obras numa escola. Mas confesso que, tal como em S. Tomé, me custa muito não lhes dar nada.

Mas eles não ficam zangados, deixam-se ficar a brincar connosco, a fazer momices, a pedir fotos, como naquele fim de tarde, na praia de Morondava.

Outros pedidos frequentes são “biscuit, vazaha?”, “bouteille, vazaha?” (as garrafas de plástico têm inúmeras utilizações de reuso, doméstico e não só.)

Uma interpelação original foi a deste pirrralho, que me gritou lá de baixo para a janela do jeep: "Photo? Photo et après cadeau!"!!!

Não se zangam, como disse, quando não temos nada disto para lhes dar. Mais valia que, desde miúdos, os ensinassem a pôr-se em guarda. Segundo li, o turismo sexual infantil é imenso. Mas a pobreza das famílias também…
Cartaz no aeroporto