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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Índico, Setembro/Novembro 2018 - Madagáscar, país das maravilhas

Madagáscar. Segundo os meus cálculos por alto, dada a extensão e diversidade do
país, para conhecer os mínimos e dar a volta completa a Madagáscar, teriam sido
necessários dois meses, ou seja, a quase totalidade do tempo de duração decidido
para a viagem. Mas nós queríamos ir a outros sítios, tivémos que fazer uma
selecção apertada, que coubesse em três semanas.

É difícil fazer uma selecção dessa selecção - escolho duas palavras: Tsingy e
lémures.

Ainda não há consenso entre os cientistas, quanto à forma como os lémures
chegaram a Madagáscar, depois de a ilha se ter separado de Gondwana. A hipótese
mais frequentemente citada é a de que os bicharocos lá teriam chegado em jangadas
vegetais, a partir do continente africano, tendo depois evoluído aí,” longe de tudo”.
Mas há quem torça o nariz.


Seja como for, só contava encontrá-los em Madagáscar. Mas eis que, logo nas
Comores, na ilha de Mohéli, se nos apresentou uma simpática família de lémures,
habituados a lanchar directamente das mãos dos hóspedes do Laka Lodge:


Lémur "maki" (?), na ilha de Mohéli
Segundo o que andei depois a bisbilhotar, terão sido levados de Madagáscar. Ah
bom, assim já bate certo.

Creio que, no país a que eles estão normalmente associados, teremos visto cerca de uma vintena de variedades diferentes. Não garanto que as publique todas aqui, nem que a identificação esteja 100% correcta... É que eram situações de too much input: seguir as explicações do guia, registá-los em foto, registá-los em video, gravar-lhes a fala, tomar notas... ... ... 


Lémur "indri indri", Reserva comunitária VOIMMA, em Andasibe


O formidável grito dos indri-indri

Lémur "eulemur coronatus", Palmarium Reserve, no canal de Pangalanes
Lémur "eulemur hybrid", Palmarium Reserve, no canal de Pangalanes
Lémur "eulemur macaco" (!), Palmarium Reserve, no canal de Pangalanes
Lémur "grand hapalemur", Parc de Ivoloina, perto de Toamasina
Lémur "albifrons", Parc de Ivoloina, perto de Toamasina
Lémur "maki de olhos azuis", Parc de Ivoloina, perto de Toamasina
Lémur "varecia variegata", Palmarium Reserve, Canal de Pangalanes
Lémur "radrianasolo sportive" (!), Parc National des Tsingy de Bemaraha
Lémur "eulemur rubriventer" (?), Palmarium Reserve, Canal de Pangalanes
O impagável Lémur "sifaka"...


Sifaka, sifaka, sifaka...
E depois vem o fosa, seu predador, e come-os o'(   :



Eu sei que só escolhi dois temas... Mas seria uma injustiça não referir os fabulosos camaleões de Madagáscar:


Os Tsingy de Bemaraha foram, como é sabido, uma das duas proezas da viagem:
Subindo os Grands Tsingy de Bemaraha












Descendo os Grands Tsingy de Bemaraha


Credo, então e os baobabs (designação francesa que prefiro, à portuguesa "embondeiro", ou à malgache "reniala")?!!!!

Mais difícil que esquecê-los, é seleccionar (poucas) fotos...




Baobabs "les amoureux" :)
 





Para rever a matéria:
Madagáscar, Setembro / Outubro 2018 - as crianças | Madagáscar, Setembro / Outubro 2018 - a corrida ao ouro, em Ilakaka | Madagáscar, Setembro / Outubro 2018 - a segurança


terça-feira, 16 de outubro de 2018

Madagascar, Setembro / Outubro 2018 - a segurança


Os nossos faróis em Madagáscar
Desde o início da preparação da viagem, comecei a ler referências à  insegurança em Madagáscar – nos foruns, nos blogs, etc. A prosa do MNE era mesmo “não viaje para Madagascar a não ser em caso de urgência”.

Não era o nosso caso, antes um projecto já com muito tempo. Que fazer?! Fui lendo e remoendo. Aliás, a respeito deste tema como doutros, é sabido que há sempre quem exagere, para um lado e para outro, sendo raros os que conseguem construir uma opinião equilibrada. O que, de resto, depende muito da experiência objectiva de cada um.

Duas semanas antes da partida, li um testemunho recentíssimo, que me deixou de olhos esgazeados. Chamava-se ele “Retour d'un voyage de cauchemard” e, nos comentários, os membros do Forum du Routard esgatanhavam-se em argumentos pró e contra. Devo confessar que fiquei verdadeiramente perturbada – África não é América Latina!

Assim que chegámos às Comores, uma das primeiras coisas que o nosso anfitrião Michel nos disse foi que não havia problemas de segurança, que nos sentíssemos completamente à vontade. E assim foi, mesmo quando à noite o nosso caminho para jantar era pela berma da estrada (não havia passeios) e com a lanterna do telemóvel (os candeeiros estavam lá, mas apagados e o sol punha-se às 6 da tarde).

No entanto, tanto lá como em Zanzibar – onde há muito turismo e tomámos as precauções habituais - , fui dando uns toques à minha sócia, que, espantosamente, não tinha lido NADA sobre o assunto. Chamou-me paranoica.

Fui mimoseada com o mesmo adjectivo quando, no primeiro dia, em Antananarivo, a aconselhei a subir o vidro do jeep e / ou não ir de instrumentos fotográficos em riste. Passados 5 minutos, o motorista estava a dizer-lhe exactamente o mesmo.

E chegámos ao oeste, supostamente, a par com a capital, a zona mais perigosa. Mas nem quando, em Belo sur Tsiribihina viu que os veículos eram obrigados a ir em caravana, Marylight se convenceu: numa picada destas, se alguém tem uma avaria, é mais fácil os outros ajudarem, argumentou. (Nesta interpretação benévola, suponho que a função do militar que nos escoltava seria a de mudar os pneus!...)

De regresso a Tana, falámos com uma senhora italiana também instalada no nosso “Green Palace”, que convém descrever um pouco: é uma guest house com muito boas instalações e uma delicia de jardim, onde se pode retoiçar em dias de descanso, como foi o nosso caso. O pior é que este oásis está encravado numa zona género Musgueira… (Já em Addis Abeba, os hoteis para os quais a Air Ethiopian nos deu os vouchers de pernoita se localizavam em zonas assaz requintadas. O preço do metro quadrado…)

De modo que não se pode exactamente dizer que a senhora está instalada, mas sim trancada no Green Palace. Veio com o marido, com um contrato de trabalho por dois meses numa central eléctrica, achando que seriam umas férias formidáveis (as pessoas não se informam?!) e está a dar em doida, ali fechada. Ainda nem o centro de Tana foram conhecer, tal a fama…

Quanto a mim, também não me !embro de alguma vez ter visitado algum país sem ter pelo menos um cheirinho da capital.

Agora que chegámos à Reunião, podemos dizer que tudo correu bem e fizémos praticamente tudo o que tínhamos programado. Não só tivémos muita sorte, como nos foram saindo ao caminho guias e motoristas espectaculares. Mas – e di-lo quem tem a consciência de que circulou numa espécie de  redoma – Madagáscar não é um país fácil de se visitar

Madagáscar, Setembro / Outubro 2018 - a corrida ao ouro, em Ilakaka

Há tão somente vinte anos, Ilakaka era apenas um lugarejo com meia dúzia de casas.

Depois, em 98, foi descoberto um filão de safiras, e foi a catástrofe... Quem quiser, leia este excelente artigo sobre o assunto.


Em resumo, a história é simples: as máfias do Sri Lanka e da Tailândia meteram-se a caminho e tomaram conta do assunto. Aos malgaches resta escavar as entranhas da terra e viver em condições miseráveis. Para variar. Este país não vai longe... 😱

Ilakaka tornou-se a (enorme) cidade de todas as concupiscências



sábado, 13 de outubro de 2018

Madagascar, Setembro / Outubro 2018 - as crianças

Já terei escrito qualquer coisa parecida com isto, mas não me importo de repetir: as nossas crianças screen addicted precisavam de fazer um estagiozito nestas aldeias malgaches do interior, onde a única distracção da canalha é vir para a estrada – perdão, para o caminho de terra batida e esburacada! – fazer adeus aos vazahas que passam.

Ou mesmo nas cidades, onde a criatividade faz maravilhas, como a que ontem vi: duas meninas brincando com malas feitas de sacos de batatas fritas vazios, com um cordel, para pendurar ao ombro.

Nos sítios mais turisticos, precipitam-se, quando nos vêm chegar. “Bombom? Bombom?”. Eu resolvi ser politicamente correcta e dar antes cinco tostões para um crowdfounding relativo a obras numa escola. Mas confesso que, tal como em S. Tomé, me custa muito não lhes dar nada.

Mas eles não ficam zangados, deixam-se ficar a brincar connosco, a fazer momices, a pedir fotos, como naquele fim de tarde, na praia de Morondava.

Outros pedidos frequentes são “biscuit, vazaha?”, “bouteille, vazaha?” (as garrafas de plástico têm inúmeras utilizações de reuso, doméstico e não só.)

Uma interpelação original foi a deste pirrralho, que me gritou lá de baixo para a janela do jeep: "Photo? Photo et après cadeau!"!!!

Não se zangam, como disse, quando não temos nada disto para lhes dar. Mais valia que, desde miúdos, os ensinassem a pôr-se em guarda. Segundo li, o turismo sexual infantil é imenso. Mas a pobreza das famílias também…
Cartaz no aeroporto