quinta-feira, 9 de julho de 2015

Colômbia, a insegurança subjacente

 A Colômbia não será o país para onde se viaja de coração mais ligeiro. Mas, como eu costumo dizer, se vamos ligar à meteorologia e aos terroristas, não saímos de casa. Con lo qual... pus-me a caminho.

Estava eu em La Paz, quando um elemento da minha entourage me mandou dizer que as FARC tinham interrompido as tréguas. Não gostei, mas não fiquei nervosa como o dito elemento, que tonteira. (Quando perdemos o avião para Quito, comentou "menos dias na Colômbia=menos riscos!" O_O)

Estávamos nós em San Agustin, incendiaram um autocarro em Antioquia, para onde nós iríamos, dois ou três dias depois. Antes, mandaram sair os passageiros. Menos mal...

Em Santa Fé, vimos no jornal a notícia de um atentado a um oleoduto, com graves consequências ambientais.



No dia em que chegámos a Bogotá, houve na cidade 2 explosões que fizeram 9 feridos. A notícia saiu no correio da manha, que, felizmente, a nossa malta não lê.

Na noite seguinte, quando saímos para jantar, havia um militar de 10 em 10 metros (não é exagero!) na nossa rua.

Eles dizem que os acusam de atentados que nao cometem...

Dizer que nunca pensava no assunto, é mentira. De vez em quando vinha-me à mente. Mas nunca me condicionou a viagem.

Na Candelária, o nosso bairro, um dos mais turísticos de Bogotá, durante o dia

Agora, das FARC, supostamente, já nos livrámos. Restam todos os outros. É tudo tão aleatório...

I'm going home

Actualização - parece que foi mesmo só para me pôr em respeito!
http://observador.pt/2015/07/08/farc-anunciam-novo-cessar-fogo-unilateral-de-um-mes/

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Esta revolução vai perder-se por causa da conta da luz


A frase é de Garcia Márquez, escrita no período do verão quente em que se mudou temporariamente para Portugal, para testemunhar, como cronista, o que se estava a passar en la puntita de Europa. O homem via tantas reuniões, de manhã à noite, e mesmo pela noite dentro, que assim opinou. Que mais não seja do ponto de vista metafórico, creio que lhe podemos dar razão...

Para quem, como eu, concretizou, antes de vir, o projecto, velho de mais de trinta anos, de reler os "Cem anos de solidão", a visita a Aracataca, apesar do calor alucinante, foi um regalo. A seguir à releitura dos "Cem anos", eu tinha-me passado para o "Vivir para contarla", deliciando-me a constatar que a maioria das situações / personagens delirantes vinham da própria família do escritor!

E hoje estavam lá todos, na casa dos avós Márquez: o corredor onde as mulheres bordavam, apanhando fresco (?!!), os peixinhos dourados do avô-coronel-Márquez -Aureliano-Buendía, o massacre das companhias bananeiras...

Hasta siempre, Gabo!