Era o ano de 2014 e eu andava às voltas com "A Batalha", na Biblioteca Nacional .
A páginas tantas, propriamente ditas, começaram a aparecer, quase diariamente, notícias sobre "a questão de Fiume"
(A questão de Fiume conta-se em meia dúzia de palavras: a Itália foi aliciada a entrar na WWI, com a promessa de que receberia varios territórios que já tinham sido seus - Tirol, Ístria, Dalmácia, etc. Quando se chegou à divisão dos despojos de guerra, o abençoado Tratado de Versalhes deu o dito por não dito, o que muito irritou os italianos em geral e D'Annunzio em particular.
O poeta agarrou nas tropas que comandava, ocupou o território de Fiume (na actual Croácia) e só de lá saiu... a mal.)
A ignorante teve que ir investigar. De Fiume passou para a Ístria e da Ístria para Trieste. Começou a ler coisas. E quando chegou a "Trieste and the meaning of nowhere", de Jan Morris (o título diz tudo!), acabou de se apaixonar pela cidade e pela sua dramática história.

De tudo o que li, o texto que melhor resume a confusa e trágica história de Trieste encontrei-o no blog do embaixador Seixas da Costa:
"Durante muito tempo, Trieste foi o porto meridional do império austríaco, com o alemão a ser a sua língua. A Itália sempre a cobiçou e viria a ocupá-la após a derrota alemã na primeira guerra mundial. Depois, foi a vez dos nazis, nos anos 40, que a utilizaram como centro para a repressão. Viria a tornar-se-ia [sic] jugoslava no termo da segunda guerra. Para ultrapassar o contínuo interesse conflitual da Itália e da Jugoslávia, os Aliados deram-lhe o estatuto de “território livre”, com a URSS e os EUA a terem sobre esse espaço uma dupla tutela, também ela sempre polémica, o que levou à sua divisão em duas zonas de ocupação militar, que se consagrariam mesmo numa partição institucional efetiva em 1954. Apenas em 1975, se encontrou uma solução, com a Jugoslávia (hoje a Eslovénia) a ter direito a territórios a leste e a Itália a fixar-se na cidade. Confuso? Deve ter sido bem mais para quem por lá vivia e foi sujeito a todas estas bolandas, sem direito a pronunciar-se sobre o seu próprio destino."

Já perceberam a(s) causa(s) da minha atracção?!
Dos duzentos e tal mil habitantes de Trieste, 80 000 (números imprecisos e talvez desactualizados) vieram da Ístria, depois da WWII. Mas isso é outra história.