No dia em que chegámos ao lodge, deram-nos uma lista das excursões que eles organizam. Nós fizémos um grande manguito interior porque, via internet, já tínhamos contratado directamente um guia local.
A primeira passeata com ele era anteontem. Mandou um motorista buscar-nos e depois fomos recolhê-lo e à paparoca para o almoço, também fornecida por ele.
Com tanta tecnologia, mail pra cá, WhatsApp pra lá, tinha-o imaginado mais jovem. Apresentou-se de barba grisalha e logo me infundiu um instintivo respeito.
Começou por nos mostrar a vila onde mora e fez questão de nos levar a sua casa. A minha expressão habitual, numa situação destas, seria 'que grande murro no estômago'. Mas não, desta vez o que me aconteceu foi comover-me quase até às lágrimas perante a espontaneidade com que nos mostrou as suas terríveis condições de habitação. Num segundo momento, achei que a visita também poderia ter intuitos didácticos…
A primeira passeata com ele era anteontem. Mandou um motorista buscar-nos e depois fomos recolhê-lo e à paparoca para o almoço, também fornecida por ele.
Com tanta tecnologia, mail pra cá, WhatsApp pra lá, tinha-o imaginado mais jovem. Apresentou-se de barba grisalha e logo me infundiu um instintivo respeito.
Começou por nos mostrar a vila onde mora e fez questão de nos levar a sua casa. A minha expressão habitual, numa situação destas, seria 'que grande murro no estômago'. Mas não, desta vez o que me aconteceu foi comover-me quase até às lágrimas perante a espontaneidade com que nos mostrou as suas terríveis condições de habitação. Num segundo momento, achei que a visita também poderia ter intuitos didácticos…
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| Este é o nosso sofá, disse ele, quando nos mostrou a casa, apontando para o degrau mínimo (cimento) em que estamos sentados |
47 anos, pai de duas meninas, a juntar aos cinco que a mulher trouxe de outro casamento, vê-se em palpos de aranha para sustentar tamanha equipa.
Sem contactos, sem infraestruturas, apenas com cabecinha e uma grande visão, tenta singrar como freelancer no mundo do turismo, mas não lhe é fácil. Em cada dez turistas que me contactam, apenas um acaba por vir, confessou-nos. Ele não pode prometer-lhes as condições que Pemba não tem. (Burros, não sabem o que perdem!).
Tendo crescido com um grupo de médicos italianos, fala correntemente a língua do país da bota. Com a Sara e o Valentino por companhia, têm sido autênticas orgias da língua de Dante! Marylight estica-se toda e não perde o pé.
É altamente critico do governo (da região autónoma de Zanzibar), que não reconheceu a vitória da oposição nas ultimas eleições e por isso perdeu o apoio e os financiamentos internacionais. Então o governo tem que inventar taxas e impostos, gesticula.
Já nos serviu dois opíparos almoços e no de ontem, de repente, para abrilhantar a festa, sacou duma coluna bluetooth. Pessoalmente, teria preferido o silêncio da ilha de Misali à Shakira e amigos, mas, uma vez mais, a intenção é que conta. E confidenciou-nos que, quando conseguir juntar dinheiro, quer comprar um router, para fornecer wifi aos clientes!
Quando chegou aqui ontem para nos levar de barco à ilha, já trazia no pêlo hora e meia de chacoalho num dhala-dhala (transportes públicos), para fazer.. 23 km... É um espectáculo, este homem!
Não pára de nos trazer prendas "do meu quintal" - canela, cravinho, maracujás... É o nosso Khamis.
Não pára de nos trazer prendas "do meu quintal" - canela, cravinho, maracujás... É o nosso Khamis.
