terça-feira, 10 de maio de 2016

2o dia - De Bombaim a S. João dos Angolares

Lá tivémos que refazer a estrada inenarrável, para regressar da Roça à quase civilização.
Na antiga Roça de Água Izé, explicaram-nos o processamento do cacau e do óleo de palma. Comigo sempre a pensar - mas como aguentam, como querem que esta gente não seja indolente, neste clima diabólico?!!! (Melhor nem pensar nos escravos de antigamente...)
Paragem na Praia das 7 Ondas (demasiado perigosa para baignades) e na Boca do Inferno. Aqui, o que teve mais graça foi o Adilson a contar que, qd andava na escola, lhe contavam a lenda de que o barão de Agua Izé, montado no seu cavalo, entrava aqui no mar e saía em Portugal. E ele acreditava!
Primeiro momento divino do dia - o banho na praia Micondó (=embondeiro, no dialecto local). Sem mais comentários...
Quanto ao ritual pantagruélico proporcionado ao almoço pelo génio multifacetado do Senhor João Carlos Silva... vejam a Mofina. E mais também não digo!
Primeira tarde de ronha da viagem, na varanda, mirando o mar e a infinita vegetação.
Logo mais havemos de ir jantar ao Nélito, vulgo restaurante Miondó (=mar). Segundo o que dizem as referências, também não se adivinha muito sucinto...

1.o dia - de S. Tomé a Bombaim

A primeira visita do dia foi à cidade de Trindade, a segunda maior do país. Muito arrumada e limpinha, contrastando com a capital. Demos uma volta pelo mercado, com o guia. Um pouco alucinante, porque eu não sabia se havia de fotografar, se anotar os nomes das frutas e legumes.
Em Batepá, parámos no memorial aos funestos acontecimentos do tempo do governador Gorgulho.
A Roça Monte Café foi o nosso primeiro encontro com o que resta desta antiga realidade local e com a versão actual da mesma - nas roças vivem actualmente pequenas comunidades que aproveitam os antigos edifícios para habitação. É um contexto de muita pobreza, mas fome não há, já que a natureza é generosa.
Se os maillots de bain estivessem vestidos, teríamos tomado uma rica banhoca na cascata de S. Nicolau. Mas tinham ficado no carro, limitámo-nos a provar a água, que era tão fresquinha.
Almoçámos (divinamente) na Roça Saudade, que se orgulha de ter visto nascer Almada Negreiros. Mais se orgulha um grupo de jovens, que se constituíu em (esforçada) associação e já conseguiu por de pé uma pequena casa-museu.
O dia terminou na Roça Bombaim, onde chegámos por volta das quatro e meia (ou seja, uma hora antes do por do sol), após uma estrada inenarrável.
A exuberância da natureza quase abafa as antigas construções. Jantámos e dormimos na que antes era a casa do proprietário. Embora degradada, permite ver que se tratavam bem.
Só há electricidade das 18h às 21. Motivo que me leva a terminar esta crónica a correr.