quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Zanzibar, Setembro 2018 - in paradisum III, era uma vez


E pronto, acabou-se o que era doce!

Claro que nós temos a consciência de que vivemos estes cinco dias numa redoma. (E alimentarmo-nos do mesmíssimo menu durante todo este tempo, relevou de alguma criatividade…)

Contudo, as excursões com o nosso amigo Khamis deram-nos alguns vislumbres da realidade local. Por exemplo quando ele hoje nos quis oferecer huala (uma espécie de gelatina / caramelo feita para ocasiões especiais), foi preciso um certo esforço para engoli-la, depois de ele nos ter mostrado a cloaca infecta onde é preparada… 


Mas, como dizia o Valentino, se isto ferve três horas, não há bactéria que resista!!!

Addio, Pemba!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Zanzibar, Setembro 2018 - in paradisum II

No dia em que chegámos ao lodge, deram-nos uma lista das excursões que eles organizam. Nós fizémos um grande manguito interior porque, via internet, já tínhamos contratado directamente um guia local.

A primeira passeata com ele era anteontem. Mandou um motorista buscar-nos e depois fomos recolhê-lo e à paparoca para o almoço, também fornecida por ele.

Com tanta tecnologia, mail pra cá, WhatsApp pra lá, tinha-o imaginado mais jovem. Apresentou-se de barba grisalha e logo me infundiu um instintivo respeito.

Começou por nos mostrar a vila onde mora e fez questão de nos levar a sua casa. A minha expressão habitual, numa situação destas, seria 'que grande murro no estômago'. Mas não, desta vez o que me aconteceu foi comover-me quase até às lágrimas perante a espontaneidade com que nos mostrou as suas terríveis condições de habitação. Num segundo momento, achei que a visita também poderia ter intuitos didácticos…
Este é o nosso sofá, disse ele, quando nos mostrou a casa, apontando para o degrau mínimo (cimento) em que estamos sentados

47 anos, pai de duas meninas, a juntar aos cinco que a mulher trouxe de outro casamento, vê-se em palpos de aranha para sustentar tamanha equipa.

Sem contactos, sem infraestruturas, apenas com cabecinha e uma grande visão, tenta singrar como freelancer no mundo do turismo, mas não lhe é fácil. Em cada dez turistas que me contactam, apenas um acaba por vir, confessou-nos. Ele não pode prometer-lhes as condições que Pemba não tem. (Burros, não sabem o que perdem!).

Tendo crescido com um grupo de médicos italianos, fala correntemente a língua do país da bota. Com a Sara e o Valentino por companhia, têm sido autênticas orgias da língua de Dante! Marylight estica-se toda e não perde o pé.

É altamente critico do governo (da região autónoma de Zanzibar), que não reconheceu a vitória da oposição nas ultimas eleições e por isso perdeu o apoio e os financiamentos internacionais. Então o governo tem que inventar taxas e impostos, gesticula.

Já nos serviu dois opíparos almoços e no de ontem, de repente, para abrilhantar a festa, sacou duma coluna bluetooth. Pessoalmente, teria preferido o silêncio da ilha de Misali à Shakira e amigos, mas, uma vez mais, a intenção é que conta. E confidenciou-nos que, quando conseguir juntar dinheiro, quer comprar um router, para fornecer wifi aos clientes! 

Quando chegou aqui ontem para nos levar de barco à ilha, já trazia no pêlo hora e meia de chacoalho num dhala-dhala (transportes públicos), para fazer.. 23 km... É um espectáculo, este homem!

Não pára de nos trazer prendas "do meu quintal" - canela, cravinho, maracujás... É o nosso Khamis. 

Zanzibar, Setembro 2018 - in paradisum I

“Pemba é para verdadeiros viajantes, não é para turistas”, li eu, antes de vir.
A ilha verde, assim lhe chamaram os árabes quando aqui chegaram, pela exuberância da vegetação, é a Mohéli deste arquipélago, em matéria de preservação da natureza.
As multidões ficam em Zanzibar, aqui vêm apenas os que verdadeiramente se interessam pela calma dos sítios primitivos, pelas aldeais onde apenas se fala swahili, pela natureza no seu estado puro.

No extremo oposto, há quem já tenha conseguido instalar na ilha dois resorts de super luxo, num dos quais a diária ronda os 700 euros. O outro orgulha-se dos seus exclusivìssimos quartos sub-aquáticos (onde eu nunca entraria!).
“We few, we happy few”, contentamo-nos com o nosso modesto Pemba Misali Lodge, de onde se vê o por do sol sobre o Ìndico, aonde nos chegam as ondas pequeninas que conseguem atingir aqui o fundo da Chake Bay, onde a toda a hora passam os pescadores a caminho da faina, nos seus dhows.
Se houvesse café expresso e o meu nariz não pingasse, seria perfeito. Assim, é apenas divino.

sábado, 15 de setembro de 2018

Zanzibar, Setembro 2018 - a ilha que os portugueses dominaram durante 200 anos...


(... até serem corridos pelos sultões de Muscat / Oman)

Quando o itinerário começou a ser desenhado, ainda contávamos com uma sócia, que dispunha de menos tempo que nós. A visita ao arquipélago foi assim espremida e reduzida à ilha de Zanzibar, aliás Unguja, em swahili.
A minha cliente Marylight, ao saber de tal, recalcitrou: o quê, não vamos a Pemba?!!!!
Corri a incluir a ilha maravilha, que há de ser a Moheli-paraìso deste arquipélago, no percurso. E tudo o que tinha sido incluído no programa de Unguja – ilhéus, praias, spice tour… - passou para o de Pemba, que é a ilha mais pobrezinha. E aqui para a ilha principal, deixámos apenas a excursão à floresta de Jozani, que foi uma excelente escolha.
As diferenças daqui para a nossa etapa anterior são muitas e grandes. A Tanzânia não será exactamente um país rico, mas é, mesmo assim, a sétima economia africana. E Zanzibar, região autónoma, vai a compasso.
Têm o turismo muito mais desenvolvido. E muitos mais turistas, uma coisa puxa a outra. (As Comores têm uns meros três mil turistas / ano!...). O que faz com que, treinados e habituados, persigam os estrangeiros, propondo-lhes mil e uma hipóteses de serviços de guia. Ontem, durante as nossas passeatas por Stone Town, tivémos que enxotar *dezenas* deles, que seca!
Aqui, sinto a falta da elegância, da graciosidade, da criatividade das mulheres comorianas para arranjar os seus panos e cobrir a cabeça. As de Zanzibar são muito mais rígidas, e há muitas baratas (a minha designação racista e intolerante para aquelas que só têm os olhos de fora).
Quanto ao comum dos passantes, aqui interagem muito menos, enquanto que nas Comores nos davam sempre o seu (habitualmente sorridente) bonjour.
Gentes diferentes, paises diferentes, culturas diferentes.
Amanhã madrugamos, para rumarmos a Pemba, onde ficaremos cinco dias.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Comores, Setembro 2018 - Mohéli, três dias no paraíso...


... e um fim um pouco duro de roer...

Pois a bela praia, pois excursões na natureza quase intocada, pois peixinhos e corais no fundo do mar, e hoje a apoteoooose, com a desova das tartarugas.
Levantam-se as criaturas às duas e meia da madrugada e põem-se a chocalhar o esqueleto durante hora e meia, por estradas inenarráveis.

Arrepelado o estremunhado guia, desta vez é a pé que se dirigem atrás dele, em plena noite escura, até à praia de Itsamia, muito do agrado das tartarugas verdes.

E depois foi um regalo, tê-las só para nós, umas que punham os ovos, outras que, à força de barbatana os cobriam de areia para os proteger, outras que, exaustas, se dirigiam lentamente de regresso ao mar. Nem faltaram as bébézinhas, as bébézinhas, senhores, numa correria, na sua primeira viagem direito ao mar.

Passado o êxtase, era altura de enfrentar a realidade. O sol já ia alto, voltámos atrás do guia, de regresso ao carro.

O pequeno almoço que o lodge tinha mandado não era uma Brastemp, mas a fome era muita. Engoliu-se.

Seguiram-se mais 45 minutos desta vez por uma estrada menos má (?!) e às oito horas fomos despejadas num hotel ao lado do aeroporto, sem nada para fazer até à hora do nosso avião de regresso a Moroni... às quatro da tarde! Deu-se-me uma destas rabujas...

Mas agora já estamos de volta à nossa Villa Jessica, ao cuidado da Cécile e do Michel.

Quem não é para cavadelas, não se mete nelas! 🤣


sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Comores, Setembro 2018 – o massacre dos kwassa-kwassa

Uma das teorias para explicar o nome destas ilhas é a de que o mesmo derivaria de 'qamar', a palavra árabe para 'lua'. Há outras, mas pessoalmente adoptei esta, que acho a mais romântica. Seriam, portanto, as ilhas da lua. São também conhecidas como ilhas dos perfumes, por causa das especiarias, da baunilha, e sobretudo do ylang ylang, de que são o primeiro produtor mundial.
Na prática, a realidade é menos cor de rosa, neste que é o terceiro país mais pobre do mundo.
Aquando da independência, foi feito um referendo, e os votantes da quarta ilha – Mayotte – escolheram continuar franceses.
A França não liga a ponta dum c*rno a este minúsculo DOM TOM perdido no oceano e a qualidade de vida é muito má (insegurança, pobreza, etc). Mas os habitantes das outras três ilhas, iludidos, metem-se nos seus frágeis barcos (kwassa-kwassa) e põem-se a caminho. Chegam lá e são recambiados pela França. Em tais manobras, morrem às catadupas.
Não é só no Mediterrâneo…

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Comores, Setembro2018 - Os senhorios de Moroni

O Michel no mercado de Volo Volo



Nao sei se nós temos mt sorte ou se, numa leitura mais arrogante, sabemos escolher muito bem.
O certo é que já não é a primeira vez que teço loas a senhorios nossos.
Estes - a Cécile e o Michel - parecem a Santa Casa da Misericórdia: emprestam-nos o telemóvel (carregado), fornecem-nos de (carradas) de água filtrada, põem-nos fruta no quarto, vêm trazer-nos gauffres e gelados ao serão, lavam-nos a roupa...
Sem falar que, quando andávamos com dificuldade relativamente aos voos domésticos, se ofereceram para nos comprar os bilhetes, adiantando dinheiro a duas desconhecidas!!!
Amanhã acabam-se as mordomias, vamos para a ilha do lado, Mohéli.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Here we go