Mostrar mensagens com a etiqueta potosí. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta potosí. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Potosí, a maldição do cerro


Ler um texto, qualquer que seja, sobre a história de Potosí, deixa um aperto no coração. A não ser que este seja / esteja empedernido.
Por exemplo, o que Galeano escreveu sobre o tema n' "As veias abertas da América Latina", livro que, aparentemente, pouco antes de morrer, renegou. Mas factos são factos.

Os incas já sabiam que havia prata nesta montanha. Mas um estrondo (potosí, em quéchua) foi interpretado como um sinal de desagrado da Pachamama (terra-mãe) e desistiram de explorá-la.

Quando os espanhóis chegaram, nem queriam acreditar. A montanha e os seus habitantes foram sugados até ao tutano. Cálculos actuais estimam que, durante os dois séculos que durou o auge do filão, oito milhões de mineiros tenham morrido nos trabalhos forçados. Chegavam a trabalhar 20 horas, a quase 5000 m de altitude.
"Os índios eram arrancados das comunidades agrícolas e empurrados, junto com suas mulheres e seus filhos, rumo às minas. De cada dez que iam aos altos páramos gelados, sete nunca regressavam. [...] Muitos dos índios morriam pelo caminho, antes de chegar a Potosí."

A mira do lucro trouxe a Potosí toda a ganância do mundo. No início do século XVIII, a cidade tinha o dobro dos habitantes de Londres e o triplo dos de Paris.

Quando arrancaram toda a prata à montanha, a roda da sorte de Potosí desandou. A cidade tem hoje um terço dos habitantes que tinha nos seus tempos áureos. Ou argênteos, para ser mais rigoroso.
Hoje em dia ainda se extrai chumbo, estranho, cobre e restos de alguma prata. As condições de exploração não serão as mesmas de há 500 anos, mas nunca ouvi falar de nenhuma mina onde as condições de trabalho sejam apetecíveis.

Um dos highligts turísticos de Potosí é uma visita às minas. Nunca esteve nos meus planos, apesar dos argumentos de almas bem intencionadas (?!) - que as visitas são organizadas por cooperativas de mineiros que os turistas assim ajudam, que só assim se pode conhecer as reais condições de trabalho, etc.
Descida aos infernos, com exibição dos condenados, não, obrigado!