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quarta-feira, 8 de abril de 2026

México, Fevereiro / Março 2026 - entre os raramuris

 

Já aqui foram falados os raramuri, a quem os espanhóis chamaram tarahumara. Raramuri, na língua deste povo, quer dizer "os de pés ligeiros". Os raramuri são efectivamente excelentes corredores, na maior parte das vezes, descalços. Segundo a crença raramuri, correr e dançar são um mandato divino, essenciais para a estabilidade do mundo.
Esta cultura / actividade já deram origem a um livro e a um filme, ambos com o título "Born to run".
Desde 2003 realiza-se nesta zona a Ultra Maratona Caballo Blanco, em que os prémios consistem em vales de milho, farinha, feijão e outros produtos alimentares.

Actualmente, haverá cerca de 100 000 pessoas desta etnia. Alguns, ainda vivem em grutas.

Quase no fim da nossa viagem, tivémos a oportunidade de visitar uma comunidade raramuri. Nestas ocasiões eu sou sempre tomada de um grande constrangimento, achando que a outra parte pode sentir-se um tanto "macaquinho na jaula".
No entanto, neste caso, se assim é, eles aproveitam-se da curiosidade dos turistas: paga-se para entrar. Já me tinha acontecido, que me lembre, pelo menos no Quénia, para visitar uma aldeia maasai. 
É uma atitude realista, da parte deles, mas parece que me constrange ainda mais.

Começámos por visitar a Misión de Santo Ignacio de Arareko, onde se pratica uma religião de sincretismo entre cristianismo e crenças locais.
Chegámos na hora da missa, pelo que não se podia entrar na igreja.
Eu remeti-me logo ao fundo do adro, mais uma vez e ainda com mixed feelings, dividida entre a tentação de registar imagens e não querer devassar a intimidade das pessoas.


 


No fim da missa, saem da igreja, primeiro os homens e depois as mulheres, e cada pessoa dá uma volta ao cruzeiro, rodando sobre si própria. No fim, reúnem-se todos, ao pé da igreja.
  

 

Nesta zona, ainda e sempre, há curiosíssimas formações geológicas. Algumas têm até nomes próprios. 

Vale dos Sapos
Vale dos Cogumelos

Acabámos em alegre e intenso convívio com @s vendedor@s de artesanato raramuri, gastando os pesos que nos restavam.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

México, Fevereiro / Março 2026 - Barrancas del Cobre

Barrancas del Cobre é um conjunto de desfiladeiros, gerados por movimentações tectónicas, existente na Sierra Madre Ocidental.

O nome não se refere à existência de cobre, mas sim à cor que as montanhas assumem, sob determinada luz. 

Nós ficámos alojados (e tínhamos vista para!) e visitámos o mais fundo dos desfiladeiros, o de Urique. Com 1879 metros de profundidade, é o maior da América do Norte. (Sim, maior que o Grand Canyon!)
Aí se encontra instalada uma comunidade raramuri. Vivendo anteriormente nas planícies de Chihuahua, transferiram-se para aqui, por não quererem render-se aos espanhóis.

Nas palavras do nosso guia local, não vale a pena fotografar as Barrancas, porque nada dá a ideia do que elas são, vistas ao vivo (aquela velha história de "o meu filho diz que a melhor objectiva..., etc"🙊).
Em todo o caso, atrevo-me a partilhar algum do patético material que produzi durante a caminhada que fizémos e na viagem de teleférico:

A paisagem começou por nos deslumbrar das janelas dos nossos quartos

 Mas, para acreditarmos que era mesmo verdade, a seguir fomos fazer uma pequena caminhada:

 

 

No dia seguinte, bem cedinho, o passeio foi de teleférico:

 

👆Durante o percurso, avistámos os sítios improváveis onde os raramuri se instalam 👇



O nosso hotel era lá no alto