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sábado, 27 de novembro de 2010

Namíbia, Outubro 2010 - Swakopmund, sombras do Kaiser

O guia dizia que Swakopmund é uma cidade parada no tempo.
Mais do que isso,
Swakopmund é um pedaço de Europa teimosamente enquistada em África. (E, no fundo, os alemães estiveram pouquíssimo tempo no "Sudoeste Africano" - entre a Conferência de Berlim e a sua saída de África, em consequência da derrota na I Grande Guerra, mediaram pouco mais de trinta anos. E no entanto...)

Mas nada como deixar falar quem sabe escrever
:

"Swakopmund é uma cidade de mar. Também é uma cidade do deserto. Encontra-se na orla entre os dois ecossistemas mais antagónicos do planeta, apertada entre o Namibe ardente e o Atlântico gelado. Porto ou oásis? Ondas ou dunas? Maresia ou miragens? Como se não lhe bastasse uma crise de identidade, Swakopmund é também uma cidade determinadamente germânica no fundo de África, um fantasma colonial acorrentado aos cromossomas da população ariana, um pedaço de Báltico que se recusa a assumir a latitude austral.
" (África acima / Gonçalo Cadilhe)


Veja-se o exemplo desta casa, na avenida principal, a Sam Nujoma Street: a bandeira da Alemanha, a bandeira da Baviera (!) e, depois (lá terá que ser!) a bandeira da Namíbia! E, ao cantinho do edifício, em teimosos caracteres góticos, o antigo nome da rua, Kaiser Wilhelm Strasse...



De resto, a arquitectura dominante, é de tradição germânica:







Replicada em versão moderna:




Ou moderníssima, mesmo:




E foi na televisão deste cafézinho que soubemos que os mineiros chilenos estavam a sair :)



O farol e o molhe de Swakopmund


© Mané