sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Índico, Setembro/Novembro 2018 - Zanzibar, falando de maravilhas


Zanzibar. Nome de arquipélago. Nome de ilha (erradamente utilizado, já que o verdadeiro nome da ilha, em swahili, é Unguja). Nome de cidade-capital. Nome cuja sonoridade basta, para despertar no nosso imaginário histórias de escravos e sultões.

As mesmas histórias que ainda ecoam pelas ruas de Stone Town, o núcleo histórico de Zanzibar City. O nome deriva do facto de na construção dos seus edifícios terem sido utilizados pedra calcária e coral. A origem da sua beleza é também a causa da sua degradação, já que estes materiais convivem muito mal com a extrema humidade e enorme pluviosidade da ilha.  O programa de reabilitação posto em marcha nos anos 90, avança lentamente.

Stone Town foi a minha paixão na ILHA DE UNGUJA

Old Fort, construído pelos årabes (Omanis) no fim do século XVII, quando expulsaram os portugueses, sobre antigas construções destes, uma igreja, nomeadamente


Beit El Ajaib, ou House of Wonders
Mandado construir em 1883 pelo sultão Barghash como palácio cerimonial, ficou assim conhecido por ter sido o primeiro edifício onde foram instalados luz elēctrica e elevador

Palace Museum, instalado no ultimo dos palacios dos sultões a ser construído, e onde os mesmos habitaram até 1964, data em que a maioria africana tomou o poder, proclamando a independência
Neste palácio / museu conhecemos a história da princesa Salme, filha de um sultão, que no século XIX se tornou conhecida por, numa época em que as mulheres não aprendiam a ler nem escrever, ter escrito "Memórias duma princesa árabe", em que descrevia a vida na corte dos sultões


The Old Dispensary, um dos edifícios a quem já tocaram as honras da reabilitação. Mandado construir, no fim do século XIX, por Tharia Topan, um dos mais ricos mercadores de Zanzibar, como hospital de beneficência. É actualmente o Aga Khan Cultural Centre
Minarete da "Mesquita do... Minarete"

Banhos públicos no bairro Hamamni, datando do fim do século XIX. Apenas os abastados  tinham dinheiro para pagar a entrada e os frequentar

Faziam-se fortunas, com o comércio de escravos. Foi o caso do mercador (negreiro!) Tippu Tip, cuja faustosa casa ainda se pode admirar

As lindíssimas e incontáveis portas de Stone Town são justamente célebres

Antigo porto de Stone Town



Na ILHA DE PEMBA, é tudo maravilhoso. Mas, apesar das especiarias, das areias brancas de Misali ou Viumawimbi, da experiência do mercado de Chake Chake, o que perdurarå na minha memória é que foi aí que vi os pores-do-sol mais lindos da minha vida.








(Fiz um bocadinho de batota. Os últimos dois são de Unguja. Mas também mereciam.)

Para rever a matéria :
A ilha que os portugueses governaram durante 200 anos | In paradisum I | In paradisum II |In paradisum III, era uma vez


quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Índico, Setembro/Novembro 2018 - Comores, resumo das maravilhas

A riqueza desta viagem e a sua extensão obrigam-me a fazer uma selecção muito apertada do que publicarei.

Em relação à GRAND COMORE, poderia falar de como ela me começou a conquistar logo do ar,

das praias de Mitsamiouli,


de Maloudja,


ou de Chomoni,


da medina de Moroni (capital da ilha e do arquipélago),


ou da sua Grande Mesquita de sexta-feira


Mas o meu coup de coeur nesta ilha, que verdadeiramente me encantou e ficará na memória, foi o Lac Salé (antiga cratera dum vulcão, cela va sans dire):




Quanto a MOHÉLI, ilha paradisíaca e quase intocada pelo turismo (aliás o número de turistas, em todo o arquipélago, não ultrapassa os três milhares por ano... O_o), tenho que escolher as tartarugas marinhas. Apesar das praias fabulosas, do snoerkelling maravilhoso, da vegetação luxuriante, dos morcegos gigantes...

A praia de Itsamia, a sul da ilha, tem fama, a nível mundial, como um dos sítios de referência da desova destes bicharocos. E nós tivemos a sorte de presenciar as várias modalidades do espectáculo (com todo o respeito pelas bichinhas!)

O trabalho da desova
As tartaruguinhas bébé (nascidas dos ovos postos há dois meses), correndo para o mar, para escapar aos vários predadores


Depois de ter postos os ovos, a tartaruga-mãe protege-os, cobrindo-os de areia



Terminada a extenuante tarefa, a tartaruga-mãe abandona a praia. Em várias (muitas) etapas, entre as quais tem que descansar. E por fim, desaparece no mar:







Este post não ficaria completo sem uma referência à elegância e à criatividade das mulheres comores, nas mil e uma maneiras de arranjarem os seus panos sobre a cabeça, que tanto me encantaram. E que o meu pudor em fotografá-las não permite documentar...



Para rever a matéria:
Os senhorios de Moroni •. O massacre dos kwassa-kwassa  •   Mohéli, três dias no paraíso