Mais do que isso, Swakopmund é um pedaço de Europa teimosamente enquistada em África. (E, no fundo, os alemães estiveram pouquíssimo tempo no "Sudoeste Africano" - entre a Conferência de Berlim e a sua saída de África, em consequência da derrota na I Grande Guerra, mediaram pouco mais de trinta anos. E no entanto...)
Mas nada como deixar falar quem sabe escrever:
"Swakopmund é uma cidade de mar. Também é uma cidade do deserto. Encontra-se na orla entre os dois ecossistemas mais antagónicos do planeta, apertada entre o Namibe ardente e o Atlântico gelado. Porto ou oásis? Ondas ou dunas? Maresia ou miragens? Como se não lhe bastasse uma crise de identidade, Swakopmund é também uma cidade determinadamente germânica no fundo de África, um fantasma colonial acorrentado aos cromossomas da população ariana, um pedaço de Báltico que se recusa a assumir a latitude austral." (África acima / Gonçalo Cadilhe)
Veja-se o exemplo desta casa, na avenida principal, a Sam Nujoma Street: a bandeira da Alemanha, a bandeira da Baviera (!) e, depois (lá terá que ser!) a bandeira da Namíbia! E, ao cantinho do edifício, em teimosos caracteres góticos, o antigo nome da rua, Kaiser Wilhelm Strasse...
De resto, a arquitectura dominante, é de tradição germânica:
Replicada em versão moderna:
Ou moderníssima, mesmo:
2 comentários:
A foto da Mané é linda! (não que as outras não o sejam)
Então e o Atlântico é mesmo gelado, ou isso é só conversa? Molharam o pé?
Hmmmpf... em Henties Bay molhei os pés e não se me racharam as canelas!
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