terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Milão, Dezembro 2017


Milão, evidentemente, estava em festa, a festa do consumo
Carnavais litúrgicos em Milano Centrale...
... na Piazza del Duomo...
... na Piazza della Scala...
... nas galerias Vittorio Emanuelle

SANTA MARIA DELLE GRAZIE E A ÚLTIMA CEIA

Como li algures, Santa Maria delle Grazie seria "apenas mais uma igreja em Milão", se não fosse o caso de abrigar, no refeitório dos monges, um tesouro chamado "Última Ceia".




Leonardo levou quatro anos - de 1494 a 1498 - para executar a sua obra prima (com um ritmo muito irregular, segundo consta - tão depressa passava dias e dias sem comparecer no local, como passava outros trabalhando afincadamente). Para tanto, usou uma técnica chamada a secco, que lhe permitiu ir fazendo infindáveis alterações. A facilidade de trabalho foi também a origem da vulnerabilidade da obra, já referida, menos de vinte anos após a conclusão, como "começando a degradar-se".
Se atendermos a que, depois disso, o espaço foi cavalariça do exército napoleónico, quartel de bombeiros e alvo de bombardeamento durante a WWII, teremos que concluir que a pintura é uma sobrevivente!
E no entanto devo confessar que, ciente dos vários restauros (o último terminado em 1999), eu estava ingenuamente à espera que as cores se apresentassem uma pouco mais vivas...

 A ocasião retratada na pintura é suposto ser a do momento em que Cristo diz que sabe que há entre os doze um traidor







O topo oposto do refeitório dos frades foi preenchido com uma pintura da Crucifixão, por Giovanni Donato Da Montorfano. A ideia programática parece ter sido a de representar o princípio e o fim da paixão de Cristo.
A guia empenhou-se em sublinhar a principal diferença entre as duas pinturas - enquanto que em Florença, de onde Leonardo vinha, já se tinha descoberto a perspectiva, que ele aplicou na "Última Ceia", esses modernismos ainda não tinham chegado a Milão, pelo que a "Crucifixão" é absolutely flat [palavras suas].

Eu que sou uma simple mind, também gostei do quadro a duas dimensões.






SANT'AMBROGIO

Santo Ambrósio é o patrono de Milão, celebrado a 7 de Dezembro. Por isso a abertura da temporada do Scala ocorre todos os anos impreterivelmente nessa data.

Em Sant'Ambrogio - por muitos considerada a expressão máxima do românico lombardo - tinha deixado umas contas por ajustar, aquando da última visita a Milão


É possível não enlouquecer com estes capitéis?!!!:





Dança de Salomé

Orfeu dominando múltiplas feras


Sant'Ambrogio encerra, aliás, múltiplas obras-primas da arte românica e outras anteriores ou posteriores à construção da basílica:

 Baldaquino (século X)

Altar (século IX)
 
 Púlpito (século XII) sobre sarcófago paleocristão dito de Stilicone

 Coluna da serpente (século XI?)


Sacello di San Vittore in ciel d'oro - o pequeno santuário paleocristão (século IV) dedicado ao mártir S. Vítor, cuja mais valia é a arte do mosaico, foi integrado no espaço da basílica de Sant'Ambrogio no século XV
  



Símbolos dos evangelistas (o leão saíu um pidassinho em estilo OGM...)



ANDREA CHÉNIER, NO TEATRO ALLA SCALA

Ah, espera, pois é, eu fui para ir à ópera!

À espera



À saída dos artistas I - o maestro Riccardo Chailly

À saída dos artistas II - na falta da diva, pedem-se autógrafos ao rapaz do gorro 

**********************

Continuam a fascinar-me os faustos fascistas da estação de Milano Centrale . E sim, isto é um trava-línguas


Este edifício verde, já a caminho do aeroporto, foi a última imagem que me ficou da cidade. Arrivederci, Milano!

1 comentário:

JoaoN disse...

A modos que o lugar era um pouco mais lateral do que prometia a planta! o_O