terça-feira, 26 de outubro de 2010

Namíbia, Outubro 2010 - Kamanjab, janela para o povo himba

Na Namíbia coabitam 12 grupos étnicos que, nalguns casos, integram ainda subgrupos diferentes. A tribo dominante, que ocupa os lugares determinantes da SWAPO, no poder, é a dos Ovambo.

Os Herero eram também um grupo de expressão demográfica importante, até terem sido massacrados nos confrontos com os alemães, na transição do século XIX para o XX, que culminaram na batalha de Waterberg, em 1904. Estima-se que 80% da população herero tenha sido dizimada.

Por extrapolação, calcula-se que, se o massacre não tivesse ocorrido, os herero seriam hoje cerca de 1,8 milhão, o que – dizem alguns dos seus chefes tribais – ocasionaria que fossem eles e não os ovambos a ocupar o poder…

Há, aliás, um processo de pedido de indemnização – movido por iniciativa dos actuais membros da tribo herero - pendente entre a Namíbia e a Alemanha, que este último país prometeu conceder, sem efeitos práticos, até agora...

As púdicas mulheres dos pastores alemães, ao chegarem à Namíbia (então – na sequência da Conferência de Berlim – chamada Sudoeste Africano), chocadas com as escassas vestimentas das mulheres herero, impuseram-lhes a moda dos seus trajos puritanos.
As mulheres herero deram a volta por cima e africanizaram os modelos. O resultado foram trajos lindíssimos, ainda hoje usados.
Na ausência de coragem para fotografar os tantos que vimos, contentámo-nos com a boneca


Mas como a matrafona não dá a ideia, achei por bem ir roubar uma fotografia que desse uma ideia mais aproximada



Os Himba - subgrupo dos Herero – são uma tribo nómada que habita actualmente no noroeste da Namíbia. E o ponto alto da nossa passagem por Kamanjab foi realmente a visita à aldeia himba.

Carregada de constrangimento, evidentemente, eu por mim falo. Já assim tinha sido na aldeia maasai, no Quénia e em menor escala, mas também, na aldeia maori, na Nova Zelândia.

A fronteira entre o respeito / admiração / curiosidade e “os macaquinhos no jardim zoológico”, if you see what I mean, é muito ténue, se é que existe.

Acaba por estabelecer-se um pacto do género nós deixamos-vos invadir a nossa privacidade e fotografar-nos e vocês compram-nos um artesanatozinho, que o guito dá-nos jeito, mas olhem que nós temos muito orgulho em ser diferentes.

© Marylight

Emanuel, o nosso guia (herero) na aldeia himba. Precisámos dele não só porque o confronto de culturas é melindroso, como também porque os himba não falam inglês

Os himba têm uma cultura religiosa de base anímica, em que o fogo colectivo representa, na aldeia, o lugar central e mais importante. É um espaço circular, que aqui não se distingue muito bem, porque eu exagerei no zoom. É que fiquei encantada com o "portão ecológico", improvisado com uma ramagem de acácia invertida! :)



Outros aspectos da aldeia:







Como usam um vestuário muito reduzido, os himba protegem-se do sol cobrindo o corpo com uma mistura de ocre e gordura, o que, além do mais lhes dá um lindo tom à pele. As mulheres usam, além disso, a mesma mistura para fixar os intrincados penteados que fazem:





Foi deste grupo que partiu, por intermédio do guia, a pergunta admiradíssima, perante semelhante mulherio: "E os homens, onde é que estão?!!!"
Nós também não vimos os delas, porque estavam mais a norte, com o gado


© Marylight

A mulher mais bonita da aldeia, quanto a mim





Fazem "extensões", com pêlo de animais

© Mané




A criançada:




© Marylight

Já se percebeu qual foi o meu favorito :)



© Mané


Cozinhando o jantar


A venda de artesanato


1 comentário:

Миша disse...

Os penteados são incríveis, e as cores... que espanto.
Não te preocupes muito com o problema de ser turista na terra deles; desde que não seja contra a vontade deles, e que recebam alguma coisa de volta, não vejo mal. (e que não sejam 10000 turistas por dia, claro)