quinta-feira, 8 de maio de 2008

Berlim, Maio 08 - o homem do chapéu (1ª crónica serôdia)

Mesmo quem não saiba onde passava o muro, tem sempre a noção de em qual das duas antigas partes da cidade se encontra... pelos semáforos!
Os peões de leste usam chapéu (os verdes), vão a caminhar com um ar activo e determinado, provavelmente a caminho do socialismo. O vermelho também também tem chapéu e um ar impositivo, que impede qualquer músculo de se mexer na direcção da passadeira.
Aquando da unificação, pensaram uniformizá-los, mas o
ampelmännschen é tão patusco e característico, que houve um movimento em sua defesa e é agora objecto de culto.

Pelas recordações da separação começámos nós, na Bernauerstrasse, que o muro dividia e onde existe agora o Centro de Documentação do Muro. Memórias pungentes, testemunhos impressionantes.
No local existia, desde o século XIX, uma igreja, por ironia do destino, chamada da Reconciliação.
O muro teve que fazer uma curva para a contornar.
Mas a pobrezinha ficou do lado errado do muro e era um foco de resistência. Por isso, em 85, o amigo Honnecker mandou-a implodir.
Agora, no mesmo local, existe uma igreja moderna, da mesma invocação, que se espera sirva efectivamente para reconciliar os berlinenses.

À tarde (entre muuuuitos outros sítios), passámos à Casa da Comunidade Judaica, de que, do original, só resta a porta.
Cá fora, no passeio, a propósito do aniversário do levantamento do ghetto de Varsóvia, um grupo de activistas, que convidavam os transeuntes a juntar-se-lhes, liam em voz alta os nomes do 55 696 judeus mortos em Berlim durante o nazismo.

Esta cidade está carregada de história.

Schüss!

1 comentário:

JoaoN disse...

Serôdio foi esse link hihihi