terça-feira, 10 de novembro de 2020

Sicília, Setembro 2020 - as varandas barrocas

 1693 está para a Sicília (sobretudo a Sicília oriental) como 1755 está para Lisboa. Escaqueirou-se tudo!

As cidades foram reconstruídas no estilo da época, barroco tardio, o que, na pedra local, produziu maravilhas.

Nas cidades sicilianas, é impossível não andar sempre de nariz no ar, para apreciar as omnipresentes e lindíssimas varandas barrocas.

 

Noto, palácio não identificado

Modica, Palazzo Tomaso Rossi Tedeschi

Modica, palácio não identificado

Modica, palácio não identificado

Palazzolo Acreide, palácio não identificado

Palazzolo Acreide, palácio não identificado

Palazzolo Acreide, Palazzo Caruso, a varanda barroca mais longa da Europa (adoro estes recordes...) e alguns detalhes da mesma :





Acireale, Palazzo Modò

Acireale, Palazzo Modò

Noto, Palazzo Nicolaci (as minhas favoritas!) :







Sicília, Setembro 2020 - "teste di moro"

 O modo acelerado em que foi vivida a minha anterior passagem pela Sicília (e no entanto foram três semanas!), não me permitiu identificar certas manifestações locais - artísticas, gastronómicas, etc - que, por isso mesmo, agora apreciei ainda mais.

Uma delas foram as "teste di moro" (cabeças de mouro), produção cerâmica baseada numa antiga lenda, de que há várias versões. (Em poucas palavras - uma jovem palermitana, apaixonada por um árabe, descobriu que ele a atraiçoava. Não fez a coisa por menos - quando o apanhou a dormir, cortou-lhe a cabeça, da qual fez um vaso para plantas [blaaargh!])

Umas de soberbo bom gosto, outras nem tanto (conforme as regiões), grandes, pequenas, adaptadas às circunstâncias actuais, nas varandas, nas montras, estão presentes em toda a ilha.








segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Sicilia, Setembro 2020 - nas ruas

 
 
[Pôr em ecrã completo e ligar o som!]

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Sicilia, Setembro 2020



Era o verão de 1985. Meia dúzia de alunos do Instituto Italiano ouviu falar no corso estivo di lingua italiana, em Erice. Entalaram-se, mais as bagagens, em duas carripanas - uma das quais a minha - e rolaram até ao extremo ocidental da Sicília.

Durante três semanas, i portoghesi pintaram a manta, portaram-se como adolescentes, escalaram o monte Cofano, entraram no mar à meia-noite, deram a volta à ilha, encontraram Carlos Paredes e o ballet Gulbenkian.

Ficou um profundo encantamento por esta ilha mágica e um enorme desejo de voltar.

Demorou 35 anos.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

AC 2020

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Era o nome de código da operação. Segundo o planeamento, a partida seria hoje. Primeiro o Panamá, de seguida a Costa Rica, o México por fim. América Central dois mil e vinte. O vírus pregou-lhe tal rasteira que a estendeu ao comprido.

O que me custa mais nem é ter sido obrigada a desistir. O que me custa mais, tem a ver com a referência ao tempo, que aparece ao lado da minha foto, no início do blog. Se há 14 anos, quando o comecei, o tempo já me parecia escasso, imagine-se agora…

São considerações egoístas, eu sei. Enfim, terei que continuar a auto-mentalizar-me com o que venho repetindo há semanas: não estou doente, não me falta dinheiro para comer. Tudo o resto são, como diria o outro, “preocupações burguesas”…

“É preciso as pessoas lembrarem-se de que o futuro é mais exíguo para nós, que este tempo roubado à nossa vida faz-nos muita falta” – Rosário Gama, da APRE!

terça-feira, 17 de março de 2020

Andaluzia, Fevereiro 2020 - pueblos blancos


 *** RONDA ***

Puente Viejo (século XVI), provávelmente construída sobre restos de outra ponte mais antiga

↑ Puente Nuevo, construído na segunda metade do século XVIII.
Segundo uma amiga espanhola, é também conhecida como varanda del coño, porque as pessoas, ao assomarem-se - o vão é de 120 metros - , exclamam: "Coño!" :-)    ↓


Outras vistas da imensidade descomunal da paisagem de Ronda:




Mirador do Paseo de Blas Infante

A chamada Casa del Rey Moro é um anacronismo, pois foi construída no século XVIII. Mas no seu interior conserva ainda uma espantosa cisterna que data efectivamente da ocupação árabe de Ronda:



Da (profundíssima!) cisterna (foi aqui que o jovem da bilheteira, quando eu lhe pedi um bilhete sénior, me disse, com ar receoso: "Olhe que são muitas escadas!"), têm-se perspectivas quase ao nível do rio Guadalavin e dos poderosos rochedos que o cercam:



E depois há as ruas, as praças, os recantos... Lindíssima Ronda!






 *** SEBENIL DE LAS BODEGAS ***

Este pueblo foi para mim uma desilusão, relativamente às expectativas que me tinham criado: não achei que a particularidade de as casas serem construídas nas / sob as rochas chegasse para lhe dar uma forte personalidade própria



Valeu-me, para, apesar de tudo, guardar um boa recordação, a "Damita de Sebenil":

Damita de Setenil, datada de 3000 anos a. C.


 *** ZAHARA DE LA SIERRA***

Já Zahara de la Sierra, apesar do crepúsculo (ou talvez por isso mesmo), encantou-me e ficou guardada num lugarzinho especial

 



 *** ARCOS DE LA FRONTERA***

Basílica de Santa Maria Menor  de la Asunción. Assim a vi a primeira vez, quando cheguei, à noite.

Eu, que tanto gosto do gótico (a igreja foi construída,sobre restos de uma mesquita árabe, durante os séculos XV e XVI, e a sua fachada plateresca é lindísssima), fiquei (também) fascinada pela sua torre, que já data do século XVII-XVIII


No Palácio do Mayorazgo encontrei esta estupenda escultura, infelizmente não identificada


E, claro, passeei muito pelas ruas



Em suma, um banho de Andaluzia!