sábado, 7 de dezembro de 2019

Etiopia, Novembro 2019 - Lalibella, nova dinastia, nova capital

Lalibella, anteriormente chamada Roha, tomou este nome do rei que terá sido responsável pela construção do seu tesouro patrimonial, as igrejas escavadas na rocha.

A cidade foi capital da dinastia zagwe durante os séculos XII e XIII, e é deste período que datam as igrejas.
(Entretanto, no século IV, o rei Ezana tinha-se convertido ao cristianismo, declarando esta a religião oficial).

O rei Lalibela, que reinou de 1162 a 1221, teria querido fazer na Etiópia uma reprodução da cidade de Jerusalém, para que os peregrinos do seu país não tivessem que fazer a viagem (e correr os respectivos perigos) até à verdadeira.

Como sempre, no que diz respeito à história etíope, é de boa prudência usar o condicional, porque a lenda e a fantasia tendem a dourar a (pouca) investigação. Assim é que, segundo a tradição, a construção das igrejas teria avançado mais rapidamente do que o expectável, porque de dia trabalhavam os operários e à noite vinham os anjos continuar...

Com maior ou menor rigor, estamos perante um conjunto que nos faz pensar como foi possível pôr tanto engenho e arte a funcionar, em tão difíceis condições.

BET MEDHANE ALEM


 



 



BETE MESKEL
 

Em cada igreja em que entrávamos, o respectivo padre fazia questão de ir buscar e exibir os seus melhores tesouros. À primeira vez, senti algum respeito. Mas à quarta ou quinta pose para os turistas, comecei a achar que a coisa está um bocado industrializada...


BETE MARYAM









 


BETE DANAGHEL



BETE GABRIEL e RUFAEL (sic)




  BETE BETHELEM

Logo apelidada por gente menos respeitosa e iconoclasta de "assador de castanhas"...

BETE MERKORIOS


 




BETE AMANUEL




BETE ABBA LIBANOS





BETE GOLGOTHA e MIKAEL







(Neste post - correndo o risco de os leitores desisitirem a meio - fez-se como nas bodas de Canaã - ficou para o fim a imponente igreja de S. Jorge, a única que se pode ver de cima e fotografar em condições, já que não tem, como as outras todas, um "telhado protector" da responsabilidade da Unesco)


BETE GIORGIS







YEMREHANNA KRISTOS 

A alguns quilómetros de Lalibela situa-se a igreja de Yemrehanna Kristos, cuja construção foi promovida pelo rei... Yemrehanna Kristos (século XI).

Tem como particularidades ter sido construída dentro de uma gruta, alternando camadas de pedra e madeira.






quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Etiópia, Novembro 2019 - Axum, a primeira capital

O nome da cidade escrito em caracteres amáricos

A história da Etiópia tem fundamentos lendários tanto quanto científicos... Assim, Axum (ou Aksum, a transliteração do amárico é um assunto delicado) teria sido a capital da rainha de Sabá, de quem descenderiam todos os reais governantes etíopes.

Precisões cronológicas à parte - que as há poucas - a cidade teria existido durante todo o primeiro milénio e, no final deste, entrado em decadência.

Do ponto de vista religioso, porém, e dada a alegada presença da Arca da Aliança, nunca perdeu importância e é, ainda hoje, uma das cidades sagradas mais importantes para o povo etíope.

Palácio de Dungur ou da rainha de Sabá
Túmulo do rei Kaleb (século VI)

Em termos de património arqueológico, a jóia da coroa de Axum são as suas estelas (nomeadamente as do campo norte), que se crê assinalarem túmulos e / ou serem elas próprias memoriais



Entre elas destaca-se  a estela 2, que os italianos, durante a sua breve colonização da Etiópia, resolveram levar para Roma. A devolução (feita a prestações, dado que, para transportá-la, a tinham cortado em três partes) foi demorada e apenas se concluíu... em 2005!!!


Do ponto de vista religioso, o ponto nevrálgico de Axum é o complexo religioso de Santa Maria de Sião,


no qual se integra uma pequena capela que supostamente albergará a Arca da Aliança. Ninguém, nem o próprio patriarca de Addis Abeba, é autorizado a vê-la, à excepção do monge que a tem à sua guarda.

Hailé Selassié, nos anos 60, mandou acrescentar ao conjunto este mamarracho,


que, no entanto, é alvo de grande devoção por parte da população.


Em estado de devoção exacerbada estava a cidade, ao fim da tarde - a Arca saíu à rua. Coisa a que - tal como tweetei na altura - o nosso guia nunca tinha assistido. Em face do que acima ficou dito, eu penso que seria antes uma réplica. (Em todas as igrejas etíopes há uma réplica da Arca).

Seja como for, o espírito religioso estava ao rubro e grande era a excitação.

 





Num registo mais profano e comesinho - tivémos a sorte de ser o dia do mercado da cestaria, em Axum



Apenas os mais corajosos se abalançaram a adquirir alguns destes objectos, tão maneirinhos para trazer no avião...

Webgrafia:
https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2010/oct/09/haile-selassie-ethiopia-king-solomon
http://www.bbc.co.uk/history/ancient/cultures/sheba_01.shtml
https://www.smithsonianmag.com/travel/keepers-of-the-lost-ark-179998820/