quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Etiópia, Novembro 2019 - Axum, a primeira capital

O nome da cidade escrito em caracteres amáricos

A história da Etiópia tem fundamentos lendários tanto quanto científicos... Assim, Axum (ou Aksum, a transliteração do amárico é um assunto delicado) teria sido a capital da rainha de Sabá, de quem descenderiam todos os reais governantes etíopes.

Precisões cronológicas à parte - que as há poucas - a cidade teria existido durante todo o primeiro milénio e, no final deste, entrado em decadência.

Do ponto de vista religioso, porém, e dada a alegada presença da Arca da Aliança, nunca perdeu importância e é, ainda hoje, uma das cidades sagradas mais importantes para o povo etíope.

Palácio de Dungur ou da rainha de Sabá
Túmulo do rei Kaleb (século VI)

Em termos de património arqueológico, a jóia da coroa de Axum são as suas estelas (nomeadamente as do campo norte), que se crê assinalarem túmulos e / ou serem elas próprias memoriais



Entre elas destaca-se  a estela 2, que os italianos, durante a sua breve colonização da Etiópia, resolveram levar para Roma. A devolução (feita a prestações, dado que, para transportá-la, a tinham cortado em três partes) foi demorada e apenas se concluíu... em 2005!!!


Do ponto de vista religioso, o ponto nevrálgico de Axum é o complexo religioso de Santa Maria de Sião,


no qual se integra uma pequena capela que supostamente albergará a Arca da Aliança. Ninguém, nem o próprio patriarca de Addis Abeba, é autorizado a vê-la, à excepção do monge que a tem à sua guarda.

Hailé Selassié, nos anos 60, mandou acrescentar ao conjunto este mamarracho,


que, no entanto, é alvo de grande devoção por parte da população.


Em estado de devoção exacerbada estava a cidade, ao fim da tarde - a Arca saíu à rua. Coisa a que - tal como tweetei na altura - o nosso guia nunca tinha assistido. Em face do que acima ficou dito, eu penso que seria antes uma réplica. (Em todas as igrejas etíopes há uma réplica da Arca).

Seja como for, o espírito religioso estava ao rubro e grande era a excitação.

 





Num registo mais profano e comesinho - tivémos a sorte de ser o dia do mercado da cestaria, em Axum



Apenas os mais corajosos se abalançaram a adquirir alguns destes objectos, tão maneirinhos para trazer no avião...

Webgrafia:
https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2010/oct/09/haile-selassie-ethiopia-king-solomon
http://www.bbc.co.uk/history/ancient/cultures/sheba_01.shtml
https://www.smithsonianmag.com/travel/keepers-of-the-lost-ark-179998820/

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Paris e Bruxelas, Maio 2019

Lembranças esparsas, não publicadas noutros canais
*** PARIS ***

Bassin de la Villette

Expositor nas Galeries Lafayette


Tour Jean San Peur

Forum des Halles

Fondation Louis Vuitton

Museu do Quai Branly - deusa azteca do milho e das águas profundas

Sacré-Coeur, visto do Parc des Buttes Chaumont

Aquela curva do Canal Saint-Martin

Reflexos no Canal Saint Martin

Saint Germain des Près - capitéis (restaurado, no interior e por restaurar, no exterior)

Boul' Mich

Paris, visto do Sacré-Coeur

Centro Pompidou, visto do Sacré-Coeur, por uma lente rasca com um zoom idem

La Défense


*** BRUXELAS ***

Basilique Nationale, que, do exterior, me pareceu um mastronço...

... mas de cujo interior gostei, pela consistência art déco (embora só tenha sido terminada em... 1951!)

Mas a minha paixão em Bruxelas é mesma a art nouveau...



... embora também tenha achado piada a algumas modernices:
Rock Growth Atomium, por Arik Kevy, junto ao Atomium original

Original e reflexo, no Bairro Europa

domingo, 10 de março de 2019

E a seguir?!

E a todos os que me perguntam, desde o regresso, "onde é a próxima?", tenho respondido: "Oh senhores, calma, que esta "deu-me conta" dos miolos!!! o_O

incredulous excuse me GIF

sábado, 2 de março de 2019

Índico, Setembro / Novembro 2018 - apontamentos de reportagem

COMORES
A nossa primeira refeição nas Comores foi nas Brochettes de Clarisse

↑ O lixo e, com frequência, carcaças de automóveis, é infelizmente uma das características da ilha de Grande Comore ↓


Cartaz na marginal de Moroni. A verdade é que a quarta ilha do arquipélago, por referendo, continua território francês.

Cravinho a secar, em Mohéli




ZANZIBAR
 

↑ Dala-dala, o transporte interurbano, no arquipélago de Zanzibar ↓





MADAGASCAR

Por estas paragens, com frequência, as mulheres usam a cara integralmente pintada, seja com fins estéticos, seja para protecção da pele. Vimo-lo sobretudo nas Comores e em Madagáscar.
No primeiro caso, usam pó feito a partir de madeira de sândalo. Em Madagáscar, não cheguei a saber.
Em Moroni, Grand Comore
Em Morondava, Madagáscar
Em Bekopaka, Madagáscar
Em Andronovory, Madagáscar

Zebu a tomar banho (forçado), no rio Tsiribihina

↑ Travessia do rio Tsiribihina - a jangada era espaçosa, mas, no fim do embarque, a área deixada aos passageiros convidava a um mergulho no rio... ↓ O_o




Pousse pousse - este é o mais frequente meio de transporte urbano. Apanha-se como quem apanha um táxi:


Na verdade, a designação não é precisa, já que, a pé ou a pedais, o que os condutores fazem é puxar e não empurrar. 


O modelo que verdadeiramente corresponde à designação é o que está vocacionado para carga:




Taxi brousse, o transporte interurbano, em Madagáscar:




Mas também ainda se recorre a métodos mais primitivos... 

... ou mais expeditos:



A chegada dos taxi brousse a cada povoação provoca grande agitação - cada qual tenta vender as suas habilidades culinárias ou colheitas do quintal, para sobreviver:



O compra aqui e vende ali é mesmo o principal meio de subsistência para grande parte da população. 



Nas cidades, as fachadas das casas não se vêem, porque os passeios, se os há, estão ocupados por mil e uma tendas, que vendem tudo e mais alguma coisa.







Esta foi a única ocasião em que vi uma rua com lojas "normais"


Carvão - tal como tweetei na altura, é o combustível usado pela generalidade da população, que não tem orçamento para os elevados preços do gás ou da electricidade. Vê-se à venda ou a ser transportado, em toda a parte. 
 



Consequência - dramática desflorestação da ilha...


Fabrico artesanal de tijolos, na periferia de Antananarivo:





  


↑ Túmulos sakalava, à beira da estrada. Os sakalava são uma das 18 etnias que coexistem em Madagáscar. Os túmulos são pintados, retratando a vida do defunto. ↓


 

Política feita à bomba. Certa ocasião, os malgaches, tão descontentes estavam com o presidente em exercício, que foi convocada uma mega concentração de protesto, na capital. O visado não esteve com meias medidas e, para travar as pessoas que vinham do sul, não hesitou em mandar explodir uma ponte!


Lamba landy, uma mercadoria muito apreciada em Madagáscar, à venda junto da gare ferroviária de Fianarantsoa. Trata-se de um tecido utilizado para envolver os mortos. O ritual do famadihana - que consiste, muito resumidamente, em desenterrar o defunto, passeá-lo festivamente entre família e amigos, e voltar a enterrá-lo, envolto num novo tecido - é ainda praticado nalgumas regiões do país.


↑ Comparando as habitações dos patrões e as dos trabalhadores das minas, é fácil ver quem se sai melhor... ↓

Escolhendo desperdício, a ver se se encontra qualquer coisinha...


Garimpando, junto à cidade



Barragem da polícia, na estrada


↑ Fábrica de rum ↓




Calma, não estamos no Alentejo nem isto é um hotel! Hotely, em malgache, corresponde mais ou menos a tasquinha


Família carregando água, em Tuléar, a terceira maior cidade do país


Nos restaurantes de Madagáscar, os menus vinham à mesa, em monumentais ardósias, que os pobres empregados tinham que transportar





REUNIÃO

Na Reunião há uma maratona anual que atravessa a ilha, chamada Grand Raid, ou - com mais propriedade, diria eu - Diagonale des Fous. Caiu-nos em cima em Cilaos, quando à noite regressávamos a casa. E ali estivemos nós, no escuro, à espera que todos aqueles pirilampos descessem do Piton des Neiges...

S. Expedito (um santo que nem se sabe se efectivamente existiu) tem muitíssimos devotos na Reunião. São frequentes pequenas capelas(?) em sua honra, à beira da estrada.


Especificidades da toponímia reunionense




MAURÍCIA

Fazendo sumo de cana de açúcar. Hmmm...

Kite surf em Morne Brabant


Take away muçulmano, no nosso bairro em Port Louis, que várias vezes nos acudiu, bless them. Mas, como a perfeição não existe, não vendiam bebidas alcoólicas...