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| Os nossos faróis em Madagáscar |
Desde o início da preparação da viagem, comecei a ler referências à insegurança em Madagáscar – nos foruns, nos blogs, etc. A prosa do MNE era mesmo “não viaje para Madagascar a não ser em caso de urgência”.
Não era o nosso caso, antes um projecto já com muito tempo. Que fazer?! Fui lendo e remoendo. Aliás, a respeito deste tema como doutros, é sabido que há sempre quem exagere, para um lado e para outro, sendo raros os que conseguem construir uma opinião equilibrada. O que, de resto, depende muito da experiência objectiva de cada um.
Duas semanas antes da partida, li um testemunho recentíssimo, que me deixou de olhos esgazeados. Chamava-se ele “Retour d'un voyage de cauchemard” e, nos comentários, os membros do Forum du Routard esgatanhavam-se em argumentos pró e contra. Devo confessar que fiquei verdadeiramente perturbada – África não é América Latina!
Assim que chegámos às Comores, uma das primeiras coisas que o nosso anfitrião Michel nos disse foi que não havia problemas de segurança, que nos sentíssemos completamente à vontade. E assim foi, mesmo quando à noite o nosso caminho para jantar era pela berma da estrada (não havia passeios) e com a lanterna do telemóvel (os candeeiros estavam lá, mas apagados e o sol punha-se às 6 da tarde).
No entanto, tanto lá como em Zanzibar – onde há muito turismo e tomámos as precauções habituais - , fui dando uns toques à minha sócia, que, espantosamente, não tinha lido NADA sobre o assunto. Chamou-me paranoica.
Fui mimoseada com o mesmo adjectivo quando, no primeiro dia, em Antananarivo, a aconselhei a subir o vidro do jeep e / ou não ir de instrumentos fotográficos em riste. Passados 5 minutos, o motorista estava a dizer-lhe exactamente o mesmo.
E chegámos ao oeste, supostamente, a par com a capital, a zona mais perigosa. Mas nem quando, em Belo sur Tsiribihina viu que os veículos eram obrigados a ir em caravana, Marylight se convenceu: numa picada destas, se alguém tem uma avaria, é mais fácil os outros ajudarem, argumentou. (Nesta interpretação benévola, suponho que a função do militar que nos escoltava seria a de mudar os pneus!...)
De regresso a Tana, falámos com uma senhora italiana também instalada no nosso “Green Palace”, que convém descrever um pouco: é uma guest house com muito boas instalações e uma delicia de jardim, onde se pode retoiçar em dias de descanso, como foi o nosso caso. O pior é que este oásis está encravado numa zona género Musgueira… (Já em Addis Abeba, os hoteis para os quais a Air Ethiopian nos deu os vouchers de pernoita se localizavam em zonas assaz requintadas. O preço do metro quadrado…)
De modo que não se pode exactamente dizer que a senhora está instalada, mas sim trancada no Green Palace. Veio com o marido, com um contrato de trabalho por dois meses numa central eléctrica, achando que seriam umas férias formidáveis (as pessoas não se informam?!) e está a dar em doida, ali fechada. Ainda nem o centro de Tana foram conhecer, tal a fama…
Quanto a mim, também não me !embro de alguma vez ter visitado algum país sem ter pelo menos um cheirinho da capital.
Agora que chegámos à Reunião, podemos dizer que tudo correu bem e fizémos praticamente tudo o que tínhamos programado. Não só tivémos muita sorte, como nos foram saindo ao caminho guias e motoristas espectaculares. Mas – e di-lo quem tem a consciência de que circulou numa espécie de redoma – Madagáscar não é um país fácil de se visitar