Desta vez, desde logo a Marion, dona e gerente, com o marido, do Unstad Arctic Surf. Tommy, o marido, é professor de surf, grande conhecedor do Guincho e afins. Mas, no caso dela, a coisa já vem mais de trás - o pai, ainda vivo, foi um pioneiro do surf na Europa, ainda há pouco tempo o New York Times o foi descobrir. E, como nesse tempo ainda não havia onde comprar pranchas, fez ele próprio as suas, que ainda estão na sala de estar do hostel, em exposição.
Debaixo de um tempo tenebroso, queria convencer as cotas a ir experimentar o surf (...), argumentando que, se os candeeiros não abanavam, não era sequer uma pequena tempestade. (Acrescentava que, quando são grandes, os quadros caem das paredes!...)
E, à despedida, ainda nos deu prendinhas.
A personagem, o bom gosto e conforto das instalações (até tínhamos máquina Nespresso, com cápsulas!) fizeram deste alojamento - eleito o melhor da viagem - um daqueles donde saímos com tanta pena de não poder ficar mais tempo.
Em Ballstad, foi o Ingvar. (Mais outro que nos fez um upgrade!)
Quando viu um casal francês, outro alemão, duas russas, duas portuguesas e um norueguês prestes a dedicarem-se, cada um por seu lado, às respectivas geringonças electrónicas, interveio, fez as apresentações, e não houve expediente para ninguém!
Hiperactivo, alternava entre a cozinha e a sala de jantar, trazendo petiscos, pedindo-nos a opinião sobre eles, contando histórias.
Todo um personagem!
O fim do serão foi um bocado dramático, porque ele veio sentar-se à mesa connosco, desfiava tema atrás de tema - Atlântida, origem do homem... - e ninguém se atrevia a levantar. Mas isso é outra história.
À primeira passagem manteve-se reservado e discreto, mas à segunda, com a ajuda de uns franceses, contou a sua história de emigrante polaco que, antes de se estabelecer aqui há dez anos, já tinha passado outros cinco em Inglaterra.
(Lá se foi o direito de imagem das criaturas... Mas, atendendo a que o blog é fechado, tem poucos leitores e isto é boa publicidade, pode ser que relevem!)