segunda-feira, 14 de novembro de 2016

País dos cátaros, Setembro 2016 - Albi, cidade episcopal

A classificação de Património da Humanidade foi, em Albi, atribuída especificamente à "cidade episcopal", o conjunto da Cathédrale Sainte Cécile e o Palais de la Berbie (designação proveniente da palavra occitana "bisbia", que se tornou "verbie" e finalmente "berbie", que significa bispado).

A esmagadora catedral de Albi:



Entramos, e o espanto continua!:










Mais uma gárgula desaustinada

Palais de la Berbie:






Jardins do Palais de la Berbie, com vista sobre o rio Tarn:




Restos do claustro da anterior catedral de Albi, românica



Ruas no Bairro de Castelviel:



Ruas no bairro de Bourg Saint-Salvi:




Église colégiale de Saint-Salvi:







Vista da catedral, a partir da outra margem do rio Tarn

País dos cátaros, Setembro 2016 - a imensa Carcassonne


Cathédrale Saint Michel
Saint Vincent

Notre Dame de la Santé:






   Vieux Pont 


Le Dôme

Canal du Midi:





A caminho da Cidadela

A jóia da coroa de Carcassonne é, efectivamente, a Cidadela. A maior fortaleza da Europa, isto para falar linguagem de recordes


  A Cidadela, vista da cidade 
 



Porte Narbonnaise et Dame Carcas, uma antecessora da nossa Deuladeu Martins
Entre as duas cinturas de muralhas

Porte de l'Aude
Barbacã Notre Dame

 Dentro da Cidadela, domina o castelo condal

  Entrada para o castelo 
 

Cour du Midi e Tour du Guet
Tour des Casernes, a minha favorita
 

Combate entre francos e muçulmanos, delicioso fresco do século XII no museu do castelo
Museu do castelo - calvário do século XV
Também no interior da Cidadela, a catedral de St. Nazaire:






St. Nazaire vista das muralhas








Excerto de um estupendo mural de mais de 100 metros (estimativa minha), feito pela Cité de la Création sobre a Carcassonne medieval

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

País dos cátaros - identidades e rebeliões

"La mémoire des cathares est entretenue avec une certaine nostalgie en Languedoc, et les ruines du pays cathare tendent à être considérées comme des monuments à la résistance contre les pouvoirs établis et la force brutale de l’autorité centrale." (Site web da revista "Geo")

Foi em grande parte atraída por este espírito que vim. E ele está presente em toda a parte.

Em Albi, as placas toponímicas são em francês e em occitano e a bandeira occitana está hasteada em muitos sítios.


Em Minerve, há um monumento comemorativo (2010) do oitavo centenário do cerco à cidade, a cuja resistência o cruzado Simon Monfort só conseguiu por fim com a Malvoisine e outras três catapultas do mesmo calibre dela. E há uma rue des Martyrs.



No inicio da subida para o castelo de Montségur, uma estela lembra os resistentes do último reduto cátaro. De recuo em recuo, de derrota em derrota, tinham-se refugiado aqui. O cerco durou nove meses e, quando os católicos conseguiram entrar, foram logo duzentos para a fogueira.



Adivinhem quem ganhou com a contenda (além do papa, que pôs ordem no ovelhame e fez uns belos churrascos)? O rei de França, claro, que deitou mão a uns quantos feudos, até aí independentes.

Os cátaros acabaram em Montségur. E o meu itinerário também.

País dos cátaros - os castelos

Claro que estes já não são os castelos dos cátaros, que foram arrasados. Na melhor das hipóteses são os que os vencedores construíram. Mas em muitos passou o tio Viollet-le-Duc, o equivalente, para simplificar as coisas e com um século de avanço, às nossas reconstruções dos centenários...
Mas são os lugares onde as histórias se passaram. E, com sorte, ainda haverá uma pedrinha original!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

País dos cátaros - a treta da vinci

Não tinha intenção de ir a Rennes-le-Château. O Vittorio Gassman (mon proprio, qui lui ressemble beaucoup) disse-me que valia a pena ir, que mais não fosse pela vista de 360 graus.

Comecei a pensar reconsiderar a questão. Mas o castelo é nojento. E eu quero lá saber como é que o pároco enriqueceu!!! Isso é mais para a juventude para quem Dan Brown rules...

A distância e o tipo de estrada fizeram a decisão. 80 km em estrada de montanha?! Ná... Virei a bússola para Peyrepertuse.

Foi o fim da picada para lá chegar a horas (de carro) e conseguir subir até ao castelo (a pé)!
(Por algum motivo eles têm um desfibrilhador na bilheteira!... O_o).

Mas valeu a pena, para aquele fim de tarde. Fui a última visitante. Só eu e os pissirinhos. E, por vezes, "not a sound from the pavement", mesmo.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pais dos cátaros - o massacre de Beziers


Quando dantes eu passava em Beziers, a caminho de outras europas, não lhe conhecia as histórias e estava longe de supor que um dia a visitaria com um fim específico.
Béziers foi o primeiro grande episódio da "cruzada" albigense. Os guerreiros, sabendo que, dentro da cidade, também havia "não heréticos", perguntaram o que haviam de fazer a esses.
A resposta do chefe foi linear: "matai-os todos, Deus saberá reconhecer os seus!" E zás, foram 20 000...
Em rigor, não se sabe sequer se a frase - em que se tropeça a toda a hora, quando nos começamos a interessar pela história dos cátaros - terá sido proferida. Mas retrata o espírito da coisa...



Para desanuviar de maus pensamentos, fui passear para os cais do Canal du Midi. (C'est pas les quais de la Seine, mais...)
Carcassonne, Beziers, Narbonne, todas e cada um delas reivindicam ter as melhores paisagens para um passeio de barco pelo canal, as comportas, blábláblá. Já dei para esse peditório no Canal St Martin, no Douro, no Canal Rideau, assim que me lembre, de repente.
Troquei-lhes as voltas e fui a pé, hoje que tive mais tempo. Mediante uma gestão cirúrgica do dito, claro!





domingo, 25 de setembro de 2016

País dos cátaros - a inquisição


Penso que a maior parte das pessoas não saberá que a Inquisição foi criada no século xiii (1233), para tratar da saúde aos cátaros. Ah, pois é!...

Tinha saído com o propósito de visitar o respectivo museu, em Carcassonne. Chego, e aquilo a que vejo publicidade é à tortura. (Deve ser o que atrai a populaça...) Mau! Entro, não entro...? Pequeno diálogo com a senhora da entrada.

Consigo resistir, mas acabo (literalmente) com o coração a sair pela boca. Como é possível pôr tanta criatividade ao serviço do sofrimento alheio, é uma daquelas coisas que a minha simple mind não consegue apreender.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

País dos cátaros - a viagem imprevista

Tenho uma amiga em cujo wc jaz um saco para literatura com o seguinte letreiro: "nas prolongadas sessões, servem quaisquer publicações".
Seguindo a mesma filosofia, tinha atirado para o chão da minha casa de banho o catálogo de uma agência de viagens.
Folheando-o, aqui há tempos, caíram-me os olhos sobre um programa intitulado "Pais dos cátaros".
Oh, pensei cá comigo, era capaz de fazer o mesmo por metade do preço!
O mau foi ter pensado... Comecei a procurar, comecei a fazer leituras, e... cá estou eu a caminho.
Moral da história - não voltar a pôr catálogos de agências de viagens no wc - dão-me ideias, que é coisa que já não me falta!
E esta até nem estava na lista de prioridades

sábado, 2 de julho de 2016

São Tomé e Príncipe, Maio 20116 - encerramento

"O viajante, por mais que fale, parece, quando termina, não ter dito nada. Isto porque quereríamos que ele nos oferecesse a cidade inteira, que ela nos fosse entregue com o murmúrio das suas ruas e o sol sobre as casas e o alvoroço das crianças nas praças; ele não nos traz mais do que uns ecos disso".
Paris / Julien Green. - Lisboa: Tinta da China, 2008

Espero não tardar muito a trazer aqui ecos de outras paragens.