quinta-feira, 29 de setembro de 2016

País dos cátaros - identidades e rebeliões

"La mémoire des cathares est entretenue avec une certaine nostalgie en Languedoc, et les ruines du pays cathare tendent à être considérées comme des monuments à la résistance contre les pouvoirs établis et la force brutale de l’autorité centrale." (Site web da revista "Geo")

Foi em grande parte atraída por este espírito que vim. E ele está presente em toda a parte.

Em Albi, as placas toponímicas são em francês e em occitano e a bandeira occitana está hasteada em muitos sítios.


Em Minerve, há um monumento comemorativo (2010) do oitavo centenário do cerco à cidade, a cuja resistência o cruzado Simon Monfort só conseguiu por fim com a Malvoisine e outras três catapultas do mesmo calibre dela. E há uma rue des Martyrs.



No inicio da subida para o castelo de Montségur, uma estela lembra os resistentes do último reduto cátaro. De recuo em recuo, de derrota em derrota, tinham-se refugiado aqui. O cerco durou nove meses e, quando os católicos conseguiram entrar, foram logo duzentos para a fogueira.



Adivinhem quem ganhou com a contenda (além do papa, que pôs ordem no ovelhame e fez uns belos churrascos)? O rei de França, claro, que deitou mão a uns quantos feudos, até aí independentes.

Os cátaros acabaram em Montségur. E o meu itinerário também.

País dos cátaros - os castelos

Claro que estes já não são os castelos dos cátaros, que foram arrasados. Na melhor das hipóteses são os que os vencedores construíram. Mas em muitos passou o tio Viollet-le-Duc, o equivalente, para simplificar as coisas e com um século de avanço, às nossas reconstruções dos centenários...
Mas são os lugares onde as histórias se passaram. E, com sorte, ainda haverá uma pedrinha original!

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

País dos cátaros - a treta da vinci

Não tinha intenção de ir a Rennes-le-Château. O Vittorio Gassman (mon proprio, qui lui ressemble beaucoup) disse-me que valia a pena ir, que mais não fosse pela vista de 360 graus.

Comecei a pensar reconsiderar a questão. Mas o castelo é nojento. E eu quero lá saber como é que o pároco enriqueceu!!! Isso é mais para a juventude para quem Dan Brown rules...

A distância e o tipo de estrada fizeram a decisão. 80 km em estrada de montanha?! Ná... Virei a bússola para Peyrepertuse.

Foi o fim da picada para lá chegar a horas (de carro) e conseguir subir até ao castelo (a pé)!
(Por algum motivo eles têm um desfibrilhador na bilheteira!... O_o).

Mas valeu a pena, para aquele fim de tarde. Fui a última visitante. Só eu e os pissirinhos. E, por vezes, "not a sound from the pavement", mesmo.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pais dos cátaros - o massacre de Beziers


Quando dantes eu passava em Beziers, a caminho de outras europas, não lhe conhecia as histórias e estava longe de supor que um dia a visitaria com um fim específico.
Béziers foi o primeiro grande episódio da "cruzada" albigense. Os guerreiros, sabendo que, dentro da cidade, também havia "não heréticos", perguntaram o que haviam de fazer a esses.
A resposta do chefe foi linear: "matai-os todos, Deus saberá reconhecer os seus!" E zás, foram 20 000...
Em rigor, não se sabe sequer se a frase - em que se tropeça a toda a hora, quando nos começamos a interessar pela história dos cátaros - terá sido proferida. Mas retrata o espírito da coisa...



Para desanuviar de maus pensamentos, fui passear para os cais do Canal du Midi. (C'est pas les quais de la Seine, mais...)
Carcassonne, Beziers, Narbonne, todas e cada um delas reivindicam ter as melhores paisagens para um passeio de barco pelo canal, as comportas, blábláblá. Já dei para esse peditório no Canal St Martin, no Douro, no Canal Rideau, assim que me lembre, de repente.
Troquei-lhes as voltas e fui a pé, hoje que tive mais tempo. Mediante uma gestão cirúrgica do dito, claro!





domingo, 25 de setembro de 2016

País dos cátaros - a inquisição


Penso que a maior parte das pessoas não saberá que a Inquisição foi criada no século xiii (1233), para tratar da saúde aos cátaros. Ah, pois é!...

Tinha saído com o propósito de visitar o respectivo museu, em Carcassonne. Chego, e aquilo a que vejo publicidade é à tortura. (Deve ser o que atrai a populaça...) Mau! Entro, não entro...? Pequeno diálogo com a senhora da entrada.

Consigo resistir, mas acabo (literalmente) com o coração a sair pela boca. Como é possível pôr tanta criatividade ao serviço do sofrimento alheio, é uma daquelas coisas que a minha simple mind não consegue apreender.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

País dos cátaros - a viagem imprevista

Tenho uma amiga em cujo wc jaz um saco para literatura com o seguinte letreiro: "nas prolongadas sessões, servem quaisquer publicações".
Seguindo a mesma filosofia, tinha atirado para o chão da minha casa de banho o catálogo de uma agência de viagens.
Folheando-o, aqui há tempos, caíram-me os olhos sobre um programa intitulado "Pais dos cátaros".
Oh, pensei cá comigo, era capaz de fazer o mesmo por metade do preço!
O mau foi ter pensado... Comecei a procurar, comecei a fazer leituras, e... cá estou eu a caminho.
Moral da história - não voltar a pôr catálogos de agências de viagens no wc - dão-me ideias, que é coisa que já não me falta!
E esta até nem estava na lista de prioridades

sábado, 2 de julho de 2016

São Tomé e Príncipe, Maio 20116 - encerramento

"O viajante, por mais que fale, parece, quando termina, não ter dito nada. Isto porque quereríamos que ele nos oferecesse a cidade inteira, que ela nos fosse entregue com o murmúrio das suas ruas e o sol sobre as casas e o alvoroço das crianças nas praças; ele não nos traz mais do que uns ecos disso".
Paris / Julien Green. - Lisboa: Tinta da China, 2008

Espero não tardar muito a trazer aqui ecos de outras paragens.


São Tomé e Príncipe, Maio 2016 - apontamentos de reportagem

Casa típica sãotomense - construída em madeira, sobre estacas, por causa das inundações e da bicharada. Espantosamente, as estacas não se vêem na foto, kkkk....
Estes tecidos enlouqueciam-me! Mas não eram de fabrico local - Senegal, Nigéria, etc
Mulheres a lavar roupa no rio Abade
Este amigo apanhava areia "para as obras", na Boca do Inferno. Tanto quanto percebi, a prática (ainda) não é proíbida

À pesca
Afeiçoando uma canoa
"Mússua", engenhoca para apanhar camarão de rio
Peixe a secar
Embarcadouro e barca para o ilhéu das Rolas
Redes em Ponta Baleia

Gaba-te, cesto!

Exemplo das práticas da empresa Agripalma no sul da ilha de S. Tomé - desflorestação, tendo em vista a (mono)cultura da palmeira, para fabrico de óleo


A nossa carripana em S. Tomé
Estrada entre Neves e Santa Catarina
"Pagando a portagem" na estrada para a cascata Val do Rio, ou seja, afastando a vegetação que a cobria completamente
Atascados nos Tamarindos
E empanados na roça S. Joaquim (ilha do Príncipe). Mas isto eram umas turistas de arcaboiço, que até ajudavam a empurrar!!!
Um táxi cujo motorista era amante das artes marciais 
Aqui - Micoló - tivémos que ir de roda ("à furá di mato", como dizia o nosso Adilson), porque a catrapila das obras tinha ficado estacionada na estrada para o dia seguinte...
Manif de táxis na capital
Em S. Tomé ainda há sinaleiros. Mas, este, só o vimos no seu posto no dia da chegada!?
T-shirts para os turistas comprarem não as há, mas, lá como cá, os partidos políticos não olham a despesas...


Chatas de manipular, mas bonitas, as notas de STP


Publicidade - e o que eu gostava da família Tomé?!
Banco patriótico, na Praça da Independência, S. Tomé capital
Por vezes, nas roças, as crianças confeccionavam "arranjos florais" que nos vinham oferecer, em parte na esperança de obter o tal "dôxi, dôxi!"
Mais vale prevenir!
O "teco-teco" que nos levou ao Príncipe

O Governo Autónomo do Príncipe aconselha (cartaz no aeroporto):


Investimento (abandonado) de um português, na Praia Macaco. Que desperdício!... :( 
Saramago trouxe-nos de volta a Lisboa 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

São Tomé e Príncipe, Maio 2016 - a miudagem

(Hesitei em publicar fotos de crianças. Aliás, os pais já estão alertados para a questão e, em certos casos, convinha pedir licença.
Afinal, descobri que já tinha aberto um precedente em anterior viagem...
Espero que ninguém se zangue!)


↑ Distribuição de balões ↓








Explorando as maravilhas do mundo digital




Este é o processo normal de as mães transportarem crianças. Mas fazia-me confusão quando as traziam quase "degoladas"!








A arte que este tinha, para tocar bateria numa caixa de esferovite!!!
O persistente Carrrrlos, que acabou por conseguir vender algum do seu artesanato à D. Marrrrria
Baloiço
Hmmm, que fresquinho...