quinta-feira, 9 de julho de 2015

Colômbia, a insegurança subjacente

 A Colômbia não será o país para onde se viaja de coração mais ligeiro. Mas, como eu costumo dizer, se vamos ligar à meteorologia e aos terroristas, não saímos de casa. Con lo qual... pus-me a caminho.

Estava eu em La Paz, quando um elemento da minha entourage me mandou dizer que as FARC tinham interrompido as tréguas. Não gostei, mas não fiquei nervosa como o dito elemento, que tonteira. (Quando perdemos o avião para Quito, comentou "menos dias na Colômbia=menos riscos!" O_O)

Estávamos nós em San Agustin, incendiaram um autocarro em Antioquia, para onde nós iríamos, dois ou três dias depois. Antes, mandaram sair os passageiros. Menos mal...

Em Santa Fé, vimos no jornal a notícia de um atentado a um oleoduto, com graves consequências ambientais.



No dia em que chegámos a Bogotá, houve na cidade 2 explosões que fizeram 9 feridos. A notícia saiu no correio da manha, que, felizmente, a nossa malta não lê.

Na noite seguinte, quando saímos para jantar, havia um militar de 10 em 10 metros (não é exagero!) na nossa rua.

Eles dizem que os acusam de atentados que nao cometem...

Dizer que nunca pensava no assunto, é mentira. De vez em quando vinha-me à mente. Mas nunca me condicionou a viagem.

Na Candelária, o nosso bairro, um dos mais turísticos de Bogotá, durante o dia

Agora, das FARC, supostamente, já nos livrámos. Restam todos os outros. É tudo tão aleatório...

I'm going home

Actualização - parece que foi mesmo só para me pôr em respeito!
http://observador.pt/2015/07/08/farc-anunciam-novo-cessar-fogo-unilateral-de-um-mes/

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Esta revolução vai perder-se por causa da conta da luz


A frase é de Garcia Márquez, escrita no período do verão quente em que se mudou temporariamente para Portugal, para testemunhar, como cronista, o que se estava a passar en la puntita de Europa. O homem via tantas reuniões, de manhã à noite, e mesmo pela noite dentro, que assim opinou. Que mais não seja do ponto de vista metafórico, creio que lhe podemos dar razão...

Para quem, como eu, concretizou, antes de vir, o projecto, velho de mais de trinta anos, de reler os "Cem anos de solidão", a visita a Aracataca, apesar do calor alucinante, foi um regalo. A seguir à releitura dos "Cem anos", eu tinha-me passado para o "Vivir para contarla", deliciando-me a constatar que a maioria das situações / personagens delirantes vinham da própria família do escritor!

E hoje estavam lá todos, na casa dos avós Márquez: o corredor onde as mulheres bordavam, apanhando fresco (?!!), os peixinhos dourados do avô-coronel-Márquez -Aureliano-Buendía, o massacre das companhias bananeiras...

Hasta siempre, Gabo!




sexta-feira, 19 de junho de 2015

Me gusta el Equador, me gustas tu


O Equador foi uma agradável surpresa.
As estradas são óptimas (algumas excepçõezitas, com certeza), os aeroportos, excelentes, os pueblos turísticos começam a estar "très bien aménagés".
Há larguíssimas e omnipresentes campanhas de promoção da identidade nacional, para compra de produtos nacionais, de atracção de turistas.
Da amabilidade das pessoas e da riqueza / diversidade de etnias / culturas, já nem vale a pena falar.
Não estará (de longíssimo!) tudo bem
faltará seguramente fazer muita coisa (assim de repente e logo às primeiras vem-me à mente a urgência de um plano de saúde oral)
não estarei provavelmente de acordo com todas as politicas do primo Rafael Correia, digo, Correa (que aliás foi alvo de grande contestação durante a nossa estadia)
mas a sensação que me ficou é a de que o Equador está a ir em frente.
Ou, como dizia o nosso anfitrião, quando nos trouxe esta manhã ao aeroporto, "el Ecuador está en movimiento!"

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Galápagos - encontramos uma mina de ouro

Esta semana era a menos programada no nosso planeamento. Não querendo fa$er cru$eiro, decidimos marcar apenas as 2 primeiras noites e estabelecer os panos da pólvora e as deslocações entre ilhas, apenas quando cá chegássemos.
Assim, a tarde do dia da chegada estava reservada para irmos correr as agências de Puerto Ayora, recolhendo informações e negociando (...) .
Descemos do avião e ficamos em choque atmosférico, dada a temperatura e humidade.
Felizmente os nossos senhorios, agarraram em nós ao colo, encheram a planta de bolinhas, setas e comentários, propuseram-nos tours mais baratos que nas agências, através dos contactos deles e em meia hora a nossa semana ficou organizada.

E nós continuávamos espapaçadas e a bufar de calor e foi assim que (des)aproveitamos a nossa tarde inesperadamente livre, a zanzar por aí.
Ontem já fomos a Isabela. E somos tão importantes que o vulcão Wolf, lá situado, até começou a eruptar! Infelizmente, quando perguntamos ao capitão se podíamos ir ver, disse que era demasiado longe (Isabela é a maior das Galápagos).
(O nosso alojamento chama-se La Mirada del Solitário George)

sexta-feira, 29 de maio de 2015

La Paz - técnicas de sobrevivência


Gostaria de saber que percentagem da população subsiste, nas grandes cidades e locais turísticos, mediante estaminés como este. Ali se vendem bolachas, chocolates, batatas fritas, cartões de telemóvel, toda uma série de outras bugigangas... e se fazem chamadas telefónicas!
Esta foto é um mau exemplo, pois, a maior das vezes, acotovelam-se no espaço disponível nos passeios, atirando os peões para o meio da rua.

Os turistas que tanto se admiram com a (ainda) existência de engraxadores em Lisboa, nunca visitaram a Bolívia, onde os há às centenas. E são utilizados, até pelas mulheres.
Os estudantes universitários com menos recursos lançam mão deste expediente para ganhar algum dinheiro. Mas, como têm vergonha, tapam a cara...

Copacabana, a verdadeira

(sem ofensa! :-)

Na verdade, o topónimo inicial, em língua aymara, era Qutakhawana, o que quer dizer 'observar' (khawana) o 'lago' (quta), neste caso o lago Titicaca. Os espanhois é que se encarregaram da 'transliteração'.

Encarregaram-se também de impor aos locais o culto da  Virgem Candelaria, à qual ergueram uma catedral, no século XVII. Sincretismos à parte, a devoção cresceu e a virgem da Candelaria é hoje a padroeira da Bolívia.

A catedral, no exterior, é lindíssima, no interior, para voltar a citar a minha amiga Rusaru, "um nojo de igreja". (Opiniões..)


Aos fins de semana realiza-se no terreiro da catedral a bênção dos veículos cujos proprietários os queiram ali levar.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Regresso a Titicaca - Wiracocha, 1 - Cielito, 0

Ha 17 anos ja tinha estado em Titicaca, no lado peruano do lago. O Peru e a Bolívia partilham o lago navegável mais alto do mundo (mais de 3800 metros) à razão de 5/6 e 1/6, respectivamente, se a minha memória está correcta.

Dormimos em Taquile. Ficou para sempre cá dentro com um lugar muito especial aquele fim de tarde na Plaza de Armas, cantando com os miudos do pueblo "Os putos" do Carlos do Carmo. Eles só cantavam o refrão e não percebiam nada, claro, mas riam-se muito. Depois fizeram um concerto ululante atrás de mim, direito à tienda lá do sítio, quando eu perguntei quem queria cárámélôs.

Na partilha do lago, a Bolívia ficou com a Isla del Sol, lugar de todas as crenças, ritos e reverências. Segundo a mitologia quéchua, de uma certa roca sagrada no norte da ilha terá surgido o deus Wiracocha, criador do mundo, do primeiro homem - Manco Capac - e da primeira mulher - Mama Ocllo.

Perante tais referências, decidi dormir na parte norte da ilha. E, assim que o barco atracou (com uma hora de atraso), precipitei-me a caminho da estação arqueológica de Chinkana, que o guia anunciava ser atingível em 30 minutos. (Estas estimativas deviam sempre vir assinadas e mencionando a idade e a condição física do autor...).

Ao fim de hora e meia em modo "mountain goat", atingi finalmente o objectivo: vi a mesa sagrada, o labirinto (chinkana) e vários outros restos. Faltava a própria da roca sagrada. Foi nesta altura que eu fui informada por uma turista descendente de que a dita rocha ficava lá no alto. Já me faltava subir isto...


A luz diminuía a olhos vistos. Desisti, arrepiei caminho, tornei a desistir, tornei a achar que conseguia, estiquei a corda o mais que pude. Muito contrariada, acabei por entregar os pontos. Bastava que o barco tivesse chegado a horas... (E que eu tivesse aguentado a subida, reconheço.)

Uyuni, o milagre do lítio


A caminho da (fatídica) ilha de Incahuasi, o doce Álvaro Alberto Alfredo Alfonso António desligou as luzes e deixou-nos ir assim, vendo, à direita, a luz que progressivamente ia começando a aparecer e, à esquerda, o salar a "embranquecer" cada vez mais. Não sei como se orientava naquela longidão e escuridão, mas iria jurar que não mexeu o volante um milímetro. Quando lhe perguntei se tanto turismo não vai dañar el salar, respondeu-me "es demasiado grande" (186 km na sua maior extensão), mas não me convenceu.

Para além do turismo e do sal, a galinha dos ovos de ouro de Uyuni é o lítio. Há sítios onde a percentagem é de 80%. O pior é que a Bolívia não dispõe das duas coisas necessárias à sua exploração - dinheiro e tecnologia.

As notícias dizem que o processo está a andar.
http://www.la-razon.com/economia/GNRE-planta-carbonato-litio-proponentes_0_2261173891.html
Será desta que a Bolívia esconjura a malapata? Tenho pena de o dizer, mas no lo creo. A gente já sabe como estas coisas se passam... Mesmo que o tio Evo se eternize no poder, como anda a tentar.


domingo, 24 de maio de 2015

Mes petits français

Quando, no início do tour,  me apercebi de que, dos doze passageiros que os três jeeps levavam, só eu não era francesa e na casa dos vinte, confesso que pus as barbas de molho..
Mas, para meu espanto, não tenho tido razão de queixa. Simpáticos, sem condescendência (que eu também não deixaria!). Dá pra acreditar?!
Do género, esta manhã, ao pequeno-almoço: eu - j'ai ronflé? O Nicolas: ah, Maria, ça me berçait!!!
Também me parece que o meu CV viajeiro (coitado!...) lhes impõe algum respeito...
Claro que nem me passou pela cabeça dar-lhes outro nome que não fosse o abominável Maria - chegariam ao fim da viagem sem ter atinado com a pronúncia do ditongo, então eu não sei?!

O cúmulo da integração foi ontem à noite quando me obrigaram a provar, com os outros todos, uma bebida que uns tinham comprado aos mineiros de Potosí, com... 96% de álcool!!! O_o



Hoje será o jantar de despedida, com uma surpresa que a cozinheira anda a prometer desde o primeiro dia. E a seguir iremos à procura do Cruzeiro do Sul, com a ajuda do Álvaro Alberto Alfredo Alfonso amanhã António.
Remataremos em glória (espera-se!), levantando-nos às 5 da matina para ir ver o sol nascer sobre o salar.
Este ambiente restrito fez muito pela minha sociabilidade transetária. Até agora, as interacções eram pouco mais que zero. Mas não me ralava nada, pensava assim: ora, o Mischa encarrega-se dessa parte por mim, lá por onde anda! (-:

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Potosí, a maldição do cerro


Ler um texto, qualquer que seja, sobre a história de Potosí, deixa um aperto no coração. A não ser que este seja / esteja empedernido.
Por exemplo, o que Galeano escreveu sobre o tema n' "As veias abertas da América Latina", livro que, aparentemente, pouco antes de morrer, renegou. Mas factos são factos.

Os incas já sabiam que havia prata nesta montanha. Mas um estrondo (potosí, em quéchua) foi interpretado como um sinal de desagrado da Pachamama (terra-mãe) e desistiram de explorá-la.

Quando os espanhóis chegaram, nem queriam acreditar. A montanha e os seus habitantes foram sugados até ao tutano. Cálculos actuais estimam que, durante os dois séculos que durou o auge do filão, oito milhões de mineiros tenham morrido nos trabalhos forçados. Chegavam a trabalhar 20 horas, a quase 5000 m de altitude.
"Os índios eram arrancados das comunidades agrícolas e empurrados, junto com suas mulheres e seus filhos, rumo às minas. De cada dez que iam aos altos páramos gelados, sete nunca regressavam. [...] Muitos dos índios morriam pelo caminho, antes de chegar a Potosí."

A mira do lucro trouxe a Potosí toda a ganância do mundo. No início do século XVIII, a cidade tinha o dobro dos habitantes de Londres e o triplo dos de Paris.

Quando arrancaram toda a prata à montanha, a roda da sorte de Potosí desandou. A cidade tem hoje um terço dos habitantes que tinha nos seus tempos áureos. Ou argênteos, para ser mais rigoroso.
Hoje em dia ainda se extrai chumbo, estranho, cobre e restos de alguma prata. As condições de exploração não serão as mesmas de há 500 anos, mas nunca ouvi falar de nenhuma mina onde as condições de trabalho sejam apetecíveis.

Um dos highligts turísticos de Potosí é uma visita às minas. Nunca esteve nos meus planos, apesar dos argumentos de almas bem intencionadas (?!) - que as visitas são organizadas por cooperativas de mineiros que os turistas assim ajudam, que só assim se pode conhecer as reais condições de trabalho, etc.
Descida aos infernos, com exibição dos condenados, não, obrigado!

domingo, 17 de maio de 2015

Bolívia, primeiras impressões

Se o meu blog estava parado, perguntava ontem uma leitora destas postas esfarrapadas. Que no. Es que la entrada en cada nuevo país se hace sp por terapia de choc - assim foi no Paraguay, com Encarnacion, assim foi na Bolívia, onde caí de chofre na maior cidade boliviana, a caótica Santa Cruz, com 2,5 milhões de habitantes.

Por isso, à excepção da excursão às missões, me deixei ficar a giboiar no hostel. Vi o centro histórico e teria visto o Museu Guarani, se ontem, sábado, nao estivesse fechado. De qq forma, com as cordas de água que caíram o dia inteiro, não teria ido.
Sucre, embora não seja outro país (e daí?!...), não fugiu à regra da terapia de choque. Depois de em vão ter tocado 3 vezes à porta do Señor de las 3 Caídas (o nome era de mau agoiro, eu devia ter calculado! ;-), vi um aviso dizendo para ir tocar ao nr x da rua y. Rosnando e arrastando o burro, chego à dita rua e qué?!!!!! @_@



Uma ladeirona. Faço das tripas coração e quando me abrem a porta, ouço dizer q o hostel está fechado, porque não há água em Sucre. (Eu tinha  lido a notícia anteontem, no jornal, mas confesso que me tinha esquecido).
... ... pequeno instante de aturdimento, qual aeroporto de Miami.E não há nenhum hotel aberto, em Sucre? (Perante as circunstâncias, a forreta vai até ao Sheraton!). Talvez os da praça principal.
Aí me ponho eu, desta vez, a travar o burro, antes que ele me atropele, rua abaixo. Estranhamente (deve ser falta de oxigenação, da altitude!!!), estou bestialmente bem disposta e divertida com a situação.
Aterro no primeiro que encontro, que já tem água. Yesss, prueba superada!!!

Sinon, a primeira coisa que salta à vista, para mim - passe a empáfia - já não é surpresa: a afabilidade das gentes é uma das coisas que me encanta na América do Sul, desde a minha estreia, há 17 anos, no Peru.
Todos me cumprimentam: até os que vão de moto, até os adolescentes que saem da escola... (falo dos pueblos). E eu, com o meu complexo de proveniência de país colonizador, pergunto-me porquê.

Que os ocidentais só andaram pelo mundo a fazer m*rda, é sabido. Mas, antes de vir até cá e ler um pouco mais sobre a história destes países, não tinha a noção de que aqui, tal como em África, as fronteiras foram traçadas a régua e esquadro ou por acidentes naturais, sem olhar nem ouvir povos indígenas ou culturas. Só pode dar asneira!...

terça-feira, 12 de maio de 2015

Asunción - começou bem, mas continuar nem por isso

Asunción foi chamada "madre de las ciudades" porque daqui partiram os espanhóis a fundar várias cidades.
E ao Paraguai cabe a honra de ter sido o primeiro território a declarar independência de Espanha.

Depois, passou o resto do século XIX enrolado em guerras com os vizinhos, quase sempre perdendo território para todos eles.

O século XX trouxe o famigerado Alfredo Stroessner e a mais longa ditadura da América do Sul.

E há os episódios mais recentes:



Realmente sabemos muito pouco de alguma história

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A missão



Há sete anos, forrei com esta imagem, que achei lindíssima, a pasta do planeamento da viagem à Argentina.
Não sabia que se tratava de Jesus de Tavarengue nem que um dia havia de pisar este chão. Sou uma privilegiada, eu sei (mas também faço um pidassinho por isso, verdade seja dita!).
Foi nessa viagem à Argentina que o tema das missões jesuítas me apanhou definitivamente.
Trinidad del Paraná e Jesus de Tavarengue foram mais duas pérolas conquistadas hoje, nesse percurso de encantamento. Grande dia!

Paraguai - isto aqui é outro país

Não é que Montevideu seja uma cidade 100% (vou ser condescendente e racista) ao nível europeu. Mas um europeu sente-se à vontade.
Aqui canta outro galo. O galo da miséria, já que o Paraguai é o segundo país mais pobre da América do Sul, logo a seguir à Bolívia. Portanto, o pessoal joga mão de todos os expedientes para sobreviver.
As três horas que hoje passei no terminal de autocarros de Encarnacion, deram para observar. Às 5 da manhã já os vendedores, os cambistas, os taxistas, andam a fazer pela vida.



Entram nos autocarros e acometem os circunstantes com tudo que tenham para despachar - relógios, pentes, perfumes, telemóveis, facalhões...
O mais espantoso é que se fica com a sensação de que tudo é feito sem lei nem roque e de que quem dita as regras é o intermediário do negócio, no momento de o fechar - que o autocarro tanto pode partir às 9 como às 11h30, que o bilhete tanto pode custar 5000 como 10000...
Causa alguma insegurança. Mas enche-se o pêto de ar, finge-se que não é nada e segue-se em frente!

sábado, 9 de maio de 2015

Montevideu - conclusões apressadas

MVD deve ter tido o seu auge no princípio do século, durante o boom da carnuça.
Há edifícios  lindíssimos por toda a parte.

Mas, além de não ter havido manutenção, o exemplo lisboeta da av. da República foi largamente seguido, e os pobrezitos que restam aparecem sistematicamente entalados entre prédios modernos

Quanto aos uruguaios, para usar uma expressão da minha amiga Rusaru, "o povo uruguaio é muito simpático!".
Comecei a dar por isso assim que saí do aeroporto. Como teria eu içado o burro pelos altaneiros degraus do autocarro, sem a ajuda de uma prestimosa passageira que saltou (literalmente) do seu lugar para me vir dar uma mãozinha...
Ou as respostas dos motoristas, quando lhes pedia para me avisarem da paragem: "si, como non?!" "Con mucho gusto!"
Ou ainda aquele jovem de carrapito à la avó Ana do Carmo que há pedaço, no autocarro, vendo-me seguir o percurso na planta, meteu conversa e quis ensinar-me tudo o que havia para um turista ver, no bairro de Punta Carretas.

Aqui, ainda mais que na Argentina, são maluquinhos pelo mate. Dão-se ao trabalho de andar com as duas geringonças - bombilla e garrafa térmica - debaixo do braço e levam-nas para toda a parte: para o emprego, nos transportes públicos, sempre, sempre!
E não se pense que é só a populaça. Gente diferenciada também!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Colónia del Sacramento

Quando era Presidente, Sampaio veio a Colónia del Sacramento. Perante as imagens da reportagem televisa, babei-me de encanto e pus a cidade na minha lista.
Por duas vezes estive em Buenos Aires, de onde teria bastado atravessar o Rio da Prata para chegar até cá. Mas nao se proporcionou.


Fundada por portugueses, a cidade passou a vida a mudar de mãos entre os vizinhos ibéricos, até que D. Joao V resolveu decidir a contenda entregando-a em dote, aquando do casamento de D. Jose com a princesa Mariana, filha do rei de Espanha.


Amanhã pela uma da tarde, pranto-me no autocarro de longo curso, que me levará a Encarnación, já no Para(qué?)guai. Se tudo correr como previsto, chegarei pelas 4h30 da matina! (Hermanita, te acuerdas del terminal de Tucumán?! ;-) El problema es que ya non tenian cama, solo semi-cama... Ay, mis cruces!!!!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Uma tarde em Montevideu

Es todo lo qué quedó, después del desastre cenicero (ceniciento?!)
Tenho tentado (e conseguido) não me stressar por causa disso, mas, por diós, se me estropearon los planes!
Também  é certo que eu vim ao Uruguai essencialmente por causa de Colónia.     Mas não era o que estava previsto.
Así que, Montevideo express. Onde é  q eu ja vi este filme? Em Salta, há 7 anos! Sem sequer almoçar.
Completamente insano

Museu Andes 1972 - desde que vi o filme que a história do http://www.mandes.uyvoo 571 nao deixa de me espantar e impressionar

Museu del Arte Pré-Colombino - sem ofensa, não chega nem aos calcanhares do homólogo de Santiago do Chile. Mas valeu a pena por uma fabulosa exposição de arte popular mexicana.

Fui ao Mercado del Puerto, dei uma volta à beira-mar, subi a Av. 18 de julio, vendo passar as gentes.

Agora estou fazendo render os 80 pesos do chocolate caliente, irei jantar como deve ser, e recolherei à minha monástica camarata.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Las cenizas...

Aeroporto de Miami. Levei mais de uma hora para ver- me livre das implicâncias da segurança, da alfândega, da imigração.
Começo a estar cansada, o que é normal, já que estou a pé há 21 horas.
Preciso de comer, mas só me aparece pão à frente. NÃO!
Por via de umas caras preocupadas que aparecem na gate, resolvo ir olhar outra vez a televisão, onde deparo com a paralisante palavra 'cancelado'.
Atraca-se a mim uma senhora uruguaia ( uruguaja!) com o mesmo problema.
Somos encaminhadas para um balcão onde nos darão hotel e etc
Err... não. Sucede que o motivo do cancelamento são as cinzas do Calbuco.
E sendo isto considerado 'an act of god' (sic), não há nada para ninguém.Podem arranjar-nos um hotel, com desconto, mas pagamos nós.
A senhora uruguaia decide ir por Buenos Aires. Eu decido telefonar ao seguro de viagem, que me diz que eles cobrem a parada.
E aqui estou eu a banhos, no Red Roof Inn.
Não sei se amanhã vá à praia. É certo que chuvisca, mas estão 26 graus.
O voo foi reprogramado para amanhã, à mesma hora. Com sorte, as cinzas já terão bazado. É o que diz a meteo uruguaia

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Can't wait...

... to hit the road again!!!...



(O pior é que não será tão depressa...)

País Basco, Outubro 2014 - apontamentos de reportagem

Os horroríveis ecopontos de Vitoria

Mais um que vai para o abate... (Vitoria)

"Aberta para obras" - a catedral de Vitoria visita-se de capacete!

Lá como cá, abortos urbanísticos há (Bilbau, bairro de Artxanda)

Mas também vi algumas coisas de que gostei (Bilbau)

Um fosterito, entrada do metro de Bilbau, do nome do arquitecto que o desenhou, Norman Foster

Un Principito, en Artkalea (Bilbau)

Bilbau

Lekeitio

Pasaia-Donibane

Bilbau

Ondarroa


Habitantes de um bairro camarário, zangados com a autarquia (Ondarroa)


Frontón, campo de jogos para pelota basca (Baquedano)

Um gatuncho que me adoptou...

... e que eu abandonei torpemente...

Confessionário iluminado - na falta de clientes, o padre lia o jornal!



*** O CAMINHO DE SANTIAGO ***

St Jean de Luz

Pamplona

Pamplona

Pamplona

Estella

Logroño

Logroño
Burgos


Burgos


*** ARTE URBANA ***

Vitoria

Vitoria

Vitoria - "Al hilo del tiempo"

Vitoria - "Al hilo del tiempo" 

Vitoria

Vitoria

Vitoria

Vitoria

Vitoria - "El triunfo de Vitoria"

Vitoria - "Continentes"
Vitoria

Vitoria - "Que haremos con lo que sabemos"
 Em Vitoria há um grande investimento em arte urbana


Bilbau

Bilbau

Bilbau

Bilbau

Lekeitio

Pamplona

Logroño

Logroño

Logroño

Logroño