Os Herero eram também um grupo de expressão demográfica importante, até terem sido massacrados nos confrontos com os alemães, na transição do século XIX para o XX, que culminaram na batalha de Waterberg, em 1904. Estima-se que 80% da população herero tenha sido dizimada.
Por extrapolação, calcula-se que, se o massacre não tivesse ocorrido, os herero seriam hoje cerca de 1,8 milhão, o que – dizem alguns dos seus chefes tribais – ocasionaria que fossem eles e não os ovambos a ocupar o poder…
Há, aliás, um processo de pedido de indemnização – movido por iniciativa dos actuais membros da tribo herero - pendente entre a Namíbia e a Alemanha, que este último país prometeu conceder, sem efeitos práticos, até agora...
As púdicas mulheres dos pastores alemães, ao chegarem à Namíbia (então – na sequência da Conferência de Berlim – chamada Sudoeste Africano), chocadas com as escassas vestimentas das mulheres herero, impuseram-lhes a moda dos seus trajos puritanos.
As mulheres herero deram a volta por cima e africanizaram os modelos. O resultado foram trajos lindíssimos, ainda hoje usados.
Na ausência de coragem para fotografar os tantos que vimos, contentámo-nos com a boneca
Mas como a matrafona não dá a ideia, achei por bem ir roubar uma fotografia que desse uma ideia mais aproximada
Os Himba - subgrupo dos Herero – são uma tribo nómada que habita actualmente no noroeste da Namíbia. E o ponto alto da nossa passagem por Kamanjab foi realmente a visita à aldeia himba.
Carregada de constrangimento, evidentemente, eu por mim falo. Já assim tinha sido na aldeia maasai, no Quénia e em menor escala, mas também, na aldeia maori, na Nova Zelândia.
A fronteira entre o respeito / admiração / curiosidade e “os macaquinhos no jardim zoológico”, if you see what I mean, é muito ténue, se é que existe.
Acaba por estabelecer-se um pacto do género nós deixamos-vos invadir a nossa privacidade e fotografar-nos e vocês compram-nos um artesanatozinho, que o guito dá-nos jeito, mas olhem que nós temos muito orgulho em ser diferentes.
Emanuel, o nosso guia (herero) na aldeia himba. Precisámos dele não só porque o confronto de culturas é melindroso, como também porque os himba não falam inglês
Os himba têm uma cultura religiosa de base anímica, em que o fogo colectivo representa, na aldeia, o lugar central e mais importante. É um espaço circular, que aqui não se distingue muito bem, porque eu exagerei no zoom. É que fiquei encantada com o "portão ecológico", improvisado com uma ramagem de acácia invertida! :)
Os himba têm uma cultura religiosa de base anímica, em que o fogo colectivo representa, na aldeia, o lugar central e mais importante. É um espaço circular, que aqui não se distingue muito bem, porque eu exagerei no zoom. É que fiquei encantada com o "portão ecológico", improvisado com uma ramagem de acácia invertida! :)
Outros aspectos da aldeia:
Como usam um vestuário muito reduzido, os himba protegem-se do sol cobrindo o corpo com uma mistura de ocre e gordura, o que, além do mais lhes dá um lindo tom à pele. As mulheres usam, além disso, a mesma mistura para fixar os intrincados penteados que fazem:
Nós também não vimos os delas, porque estavam mais a norte, com o gado
A criançada:
Cozinhando o jantar
