Também aqui, tal como em Damasco, abundam as janelas em madeira trabalhada. Nem sempre em muito bom estado, pois...
A formidável cidadela:
Aspectos do interior da cidadela:
O nosso guia, exemplificando a chamada à oração
Viajar, uma das três melhores coisas que há na vida! As outras duas? Não digo! Para além de que poderia escandalizar as gentes, um pouco de suspense cria sempre mais interesse...
“É uma história de horror ou de milagre, talvez ambas. Acabou há 1500 anos nesta colina do Norte da Síria.
Aqui, entre pinheiros que enchem o chão de caruma e refrescam a pedra ardente, um homem viveu 37 anos em cima de um pilar, com uma coleira de ferro, para não cair.
Tão longe foi a sua fama, que veio gente da Pérsia, das Ilhas Britânicas e até da península Ibérica para o ver. Imperador bizantino, líderes beduínos, poderosos em geral, pediam-lhe conselho e cumpriam, porque a palavra de um homem em cima de um pilar só podia ser visionária.
Foi assim que Simeão decidiu de muitas matérias terrenas, tendo grande impacto no mundo do seu tempo, e tudo isto sem descer ao chão.
Quando ele morreu, o corpo teve que ser retirado à fome dos crentes, que lhe queriam arrancar, dedos, dentes, cabelos, qualquer relíquia. Isto aconteceu no século V, e uma grande basílica, que na verdade são quatro, foi erguida em torno do pilar sagrado.
Hoje é uma das ruínas mais extraordinárias da Síria, o que é dizer muito porque poucos países do mundo terão ruínas tão extraordinárias, de tantas civilizações e épocas.
E entre arcos e colunas, abóbadas e capitéis, cá está o pilar, hoje reduzido a uma grande pedra irregular, no centro do pátio.
[…]
Quando optou pela vida no pilar, este obstinado santo tinha a idade de Cristo. Morreu com 70 anos, lá em cima. Foi preciso trepar para confirmar o óbito.
[…]
Feita de quatro basílicas em cruz, a grande basílica de São Simeão ainda está tão de pé em alguns pontos como se lhe tivessem tirado só o tecto. De manhã, a pedra é dourada, com um céu azul por cima e pinheiros à volta. E, encosta fora, extensos olivais, árvores de pistácio, figueiras, até dar Saaman, a aldeia lá em baixo. Os aldeões habitam tudo isto. Vivem em casas que nos quintais têm restos de colunas, de fachadas e mesmo pequenas basílicas bizantinas. Sobem a encosta para colherem azeitonas, pistácios, avelãs, romãs e figos junto à basílica.
E são esses pequenos figos verdes que os filhos dos aldeões seguram à sombra de um arco ou de uma coluna, sem sequer apregoarem o que têm, silenciosos como monges."