domingo, 31 de outubro de 2010

Namíbia, Outubro 2010 - Cape Cross, cem mil otárias e uma questão patriótica

Henties Bay foi apenas um ponto de passagem entre o Damaraland e o deserto. O ambiente não nos agradou particularmente. Tinha um certo perfume ao tempo de antigamente - grandes figurões de ar germânico, ao volante de enormes 4x4, jornais apenas em africaans, etc... Em todo o caso era uma excelente praia, onde ao abrigo do alpendre do nosso hotel, vimos o enésimo por do sol da viagem






Cape Cross - em 1486, o nosso Diogo Cão aportou aqui, colocando o costumeiro padrão



Anos mais tarde... :

Sem comentários... Continuam as insistências de Portugal e da Namíbia para que o padrão volte ao local original




Réplica do padrão com a águia dos amschlossen:



Verdadeira réplica do padrão original:



Pormenor do monumento comemorativo dos 500 anos da chegada de Diogo Cão



Mas, em rigor, não foi por Diogo Cão nem pelo padrão que nós fomos a Cape Cross... É que 100 mil otárias é muita otária!!!


Adoradores do sol:






Namorando:

Mamando:



Os machos são de uma corpulência espantosa



Se isto não é a imagem da bem-aventurança...


Também há zangas...


Na água também não se está mal...



sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Namibia, Outubro 2010 - Damaraland for ever!

Estas montanhorras – o maciço de Grootberg - foram as primeiras que nos fizeram apaixonar pelo Damaraland.

Ainda abaladas pelas emoções do primeiro furo, levámos com esta bofetada colossal e caímos de (as) quatro.
Pena que, pelo calor enorme e respectivo revérbero, as fotos não façam justiça à realidade:








Chegámos ao lodge e precipitámo-nos para o “rhino safari” – pois lá estavam elas, em todos os horizontes!:







© Marylight




Bottle tree



Estes inocentes tufos de arbusto que proliferavam por toda a parte, são altamente venenosos, a tal ponto que os animais de grande porte (como o tal rinoceronte que dava o nome ao safari, mas não se mostrou...) se rebolam por cima deles para se desparasitarem. Aliás as lendárias setas envenenadas de indígenas africanos de que sempre ouvimos falar, são-no exactamente com o líquido que a planta destila. Nome popular - wolf's milk, nome científico - euphorbia damarana


O nosso guia no rhino safari © Marylight


No outro dia de manhã, a caminho de Twyfelfontein, lá continuavam elas a enlouquecer-nos, as montanhas mágicas (que pareciam) cortadas a preceito. Um deslumbramento!










O Centro de Acolhimento de Twyfelfontein é um exemplo incrível (dos vários que vimos) da formidável capacidade de imaginação para reaproveitar materiais. Neste caso, com (muito) gosto. Repare-se, o módulo-base são tampas de bidons!


© Marylight




© Marylight

© Mané


Twyfelfontein foi o primeiro sítio namibiano classificado património mundial pela Unesco.

São mais de 2 000 gravuras rupestres com cerca de 6 000 anos, atribuídas ao povo San (designação mais conhecida: bosquímanos): girafas, leões, otárias, avestruzes, elefantes, orixes, etc, etc… Um regalo! :








Esta representação de avestruz é interpretada como uma tentativa de animação – repare-se nos três pescoços, para dar a noção de movimento








A mocinha que foi nossa guia em Twyfelfontein © Concha



Não longe de Twyfelfontein, encontram-se os Organ Pipes, a calçada dos gigantes lá do sítio (digo eu!).

São enormes pilares de dolerite (parente do basalto), de secção poligonal, altos de 4 metros e estendendo-se ao longo de uma garganta de cerca de 100 metros.


Organ Pipes ornamentados por três cortas (três cotas cortas!!!:), fotografados pela única que desceu.





No maciço de Brandberg situa-se o ponto mais alto da Namíbia (2573 m). Para mim, desde que o avistei, e tal como na altura tuítei, este é um pedaço dos Andes que ficou para trás, quando a Gondwana original se separou em vários continentes e subcontinentes.
Foi um coup de coeur, desde que o avistei a primeira vez, até que me desapareceu do retrovisor.

Primeiro avistamento


Ele, lá ao longe


Zunindo, direito a ele (dormimos uma noite encostadinhas a ele)


A cor completamente diferente, sob a luz da manhã


No macico de Brandberg situa-se um dos mais famosos conjuntos de pinturas rupestres africanos, conhecido como “White Lady”

O guia que nos levou às pinturas. Era de etnia damara e teve a paciência de nos enumerar e demonstrar as várias modalidades de estalinhos que eles usam, na língua falada (comum à etnia nama).

Qualquer coisa que, graficamente é representada assim:

Quem tiver curiosidade de perceber como, na prática, resultam os “estalinhos”, pode ver este vídeo , cujo protagonista é um colosso!

Chegarmos às pinturas custou-nos algum esforço, durante os 3/4h de caminhada pelo leito seco do rio Tsisab. Mas (se) valeu a pena! :












Ancient people of the Brandberg held rituals for many purposes, including healing and making rain.
During ritual dances, medicine men wore rattles made from insect cocoons around their ankles.
Their efforts caused them to perspire, and sometimes bleed from the nose.
They used antelope tail fly whisks as part of their rituals paraphernalia.
Note the way the legs of the oryx in the rock painting bend like human elbows and knees.
Note that the oryx have large dewlaps, so they are male, like the medicine man.
Medicine men believed that certain animals had supernatural powers which they used in rituals.


WHAT ARE THESE MARKS?

Ritual dances lasted many hours and sometimes involved many people singing and clapping
The seat of the medicine men was a potent healing ointment because it contained the supernatural power of certain animals
Here a healer is showed with his musical bow and drops of sweat on his arms, legs and torso.
Below the dancer is a wildbeest. The natural stripes of the animal were likened to the streaming sweat of the medicine man
Such similarities helped to determine which animal species were given ritual importance, and a place in the rock art.


WHO WAS THE "WHITE LADY"?

The so-called "White Lady" and the adjacent figure are obviously male. They hve individual penis decoration.
Their antelope tail fly whisks, knee anda arm streps, and dancing rttles show they are performing a ritual.
They alo have body markings, or ritual sweat, shown on the "White Lady" as droplets and streaks, and on the other figure as stripes similar to those of the wildbeest. Both figures are clerly medicine men or ritual specialist
Each medicine man figure in the Maack Shelter is different.
This indicates that they show specific individuals.
The "White Lady" medicine man was therefore a real person who practicised as a healer in this area

ARCHEOLOGY FACTS AND FIGURES

The Namib Desert became increasingly drier
Hunter-gatherers devloped seasonal migrations
The Brandberg becme a dry season refuge.

Small antelope, dassie and hares were the main diet together with various plant foods and wild honey.

As food and water became scarce medicine men held ritual dances to make rain and heal the sick.

There are numerous large rock shelters on the Brandebrg that were important ritual centres.

When the rains came groups of hunter-gatherers would scatter across the Namib, wherever they coud find food and water.


Some of the rock art on the Branberg could be as old as 5 000 year: these are themonochrome brown oe red brown stick figures.

The polychrome paintings which are very detailed and often have up to four colours, data to within the last 2 000 years.

The polychrome paintings, like the "White Lady", showspecilit medicine men and represent the end of the rock art tradition.

During the last 1 000 years hunter-gatherer communities in the Namib Desert acquired sheep, followed by cattle and goats, and adopted a nomadic pasatorlist way of life.


(Informação disponibilizada no local)